A doutrina da criação de Agostinho de Hipona

Alister E. McGrath

Origem: “Christian Theology: A Introduction”, capítulo 14, pp. 312-314.

Tradução: teismocristao.wordpress.com

  Em sua obra “Sobre o Sentido Literal de Gênesis” (401-15), Agostinho de Hipona (354-43) propõe-se a providenciar uma doutrina da criação baseada no que ele considerava uma boa interpretação dos relatos de criação de Gênesis. Agostinho argumenta que Deus trouxe tudo à existência em um momento único de criação. Porém, a ordem criada não é estática, visto que Deus dotou-a com a capacidade para se desenvolver. Agostinho usa a imagem de uma semente dormente como uma analogia para esse processo. Deus embute sementes (mais tecnicamente, rationes seminales, “razões seminais”) na ordem criada original, que irá crescer e se desenvolver no tempo certo. Há uma clara analogia aqui com a ideia de logos spermatikos, a “razão espermática,” amplamente utilizada por escritores Cristãos de fala grega para iluminar a doutrina da criação (pp. 10, 175).

  Escritores cristãos anteriores haviam notado como a primeira narrativa da criação em Gênesis falava da terra e das águas “produzindo” criaturas vivas, e haviam chegado à conclusão de que isso apontava para Deus dotando a ordem natural com a capacidade para gerar coisas vivas. Agostinho levou essa ideia adiante. Deus criou o mundo completo com uma série de poderes dormentes, os quais eram atualizados em momentos apropriados através da providência divina.

  Agostinho argumenta que Gênesis 1:12 implica que a terra recebeu o poder (ou capacidade) de produzir coisas por si mesma: “A Escritura declara que a terra produziu os cultivos e as árvores casualmente, no sentido de que ela recebeu o poder de produzi-las.” Onde alguns podem pensar da criação em termos da inserção, por Deus, de novos tipos de plantas e animais já prontos em um mundo já existente, Agostinho rejeita isso como inconsistente com o testemunho global da Escritura. Ao contrário, Deus deve ser pensado como tendo criado naquele primeiríssimo momento as potências para todos os tipos de seres vivos que viriam depois, incluindo a humanidade.

  A interpretação de Gênesis de Agostinho não limita a ação criativa de Deus ao ato primordial de originação. Deus ainda está, Agostinho insiste, trabalhando no mundo, direcionando seu desenvolvimento contínuo e desenrolando o seu potencial. Ele argumenta que o trabalho de criação de Deus inclui tanto a originação inicial do mundo como seu desenvolvimento subsequente. Há dois “momentos” na criação: um ato primário de originação e um processo contínuo de direção providencial. A criação, portanto, não é um evento passado concluído. Deus deve ser reconhecido como estando trabalhando até mesmo agora, no presente, sustentando e direcionando o desenrolar das “gerações que ele depositou na criação quando ela foi primeiro estabelecida”.

  Isso quer dizer que o primeiro relato de criação em Gênesis descreve o trazer instantâneo à existência da matéria primordial, incluindo recursos causais para desenvolvimentos futuros. O segundo relato em Gênesis explora como essas possibilidades causais emergiram e se desenvolveram a partir da terra. Tomados em conjunto, os dois relatos de criação em Gênesis declaram que Deus criou todas as coisas simultaneamente, enquanto concebendo que os vários tipos de coisas fazem suas aparições gradualmente ao longo do tempo – como elas foram planejadas pelo seu criador.

  Para Agostinho, Deus criou um universo que foi deliberadamente projetado para se desenvolver e evoluir. O diagrama dessa evolução não é arbitrário, mas se encontra programado na própria fábrica da criação. A providência de Deus superintende o desenrolar continuo da ordem criada. A imagem de Agostinho da “semente” implica que a criação original continha em si as potencialidades para todos os seres vivos que iriam subsequentemente emergir. Isso não quer dizer que Deus criou o mundo incompleto ou imperfeito, pois “o que Deus originalmente estabeleceu em causas, ele subsequentemente cumpriu em efeitos.” Esse processo de desenvolvimento, Agostinho declara, é governado por leis fundamentais, que refletem a vontade de seu criador: “Deus estabeleceu leis fixas governando a produção de tipos e qualidades de seres, e trazendo-as da ocultação para a vista plena”.

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Zeitgeist: Análise e Resposta

Tradução: https://teismocristao.wordpress.com

Autor e Fonte: Always Be Ready Apologetics Ministry (http://bit.ly/response-zeitgeist)

Zeitgeist (uma frase alemã que significa “o espírito da era”) é o nome de um vídeo online (primeiro publicado em Junho de 2007) que está fazendo um grande impacto em sua audiência. Nesse vídeo, Peter Joseph, o escritor e diretor, procura persuadir sua audiência de que os autores do Novo Testamento pegaram emprestadas as ideias do nascimento virginal, nascimento em 25 de Dezembro, 12 discípulos, milagres, crucificação e ressureição de Jesus de fontes astrológicas e antigas religiões de mistério pagãs que já estavam por aí bem antes do tempo de Cristo. O vídeo chega até mesmo a afirmar que Jesus nunca existiu. Bem, essas alegações são tão escandalosas que estamos felizes que você tenha tomado um tempo para investigá-las, pois, como você verá em breve, há uma abundância de evidências de que Peter Joseph errou grandiosamente em suas afirmações.

A seguir você encontrará algumas das afirmações no vídeo seguidas por respostas e citações úteis de estudiosos, historiadores, experts em religiões mundiais, apologistas cristãos, entre outros, além de links para artigos e livros detalhados que oferecem uma refutação muito mais completa de muitos dos erros na primeira parte do filme. (A segunda e terceira partes do filme lidam com áreas fora do âmbito desse ministério.)


AFIRMAÇÃO 1: O RELATO DA RESSURREIÇÃO FOI ROUBADO DE FONTES ANTERIORES

RESPOSTA:

Charlie Campbell, Diretor do Always Be Ready Apologetics Ministry [Ministério Apologético Sempre Esteja Pronto], diz: “Muitas das acusações avançadas em ZeitgeistI são baseadas em ideias antigas e desmentidas que estavam em circulação no inicio do século passado. Aqui um exemplo: Zeitgeist afirma que Átis (uma divindade romana) foi crucificado, morreu por três dias e então foi ressuscitado. Isso é absolutamente infiel ao relato mitológico. Na história mitológica, Átis foi infiel à sua amante deusa, e em fúria de ciúmes ela o tornou insano. Em tal insanidade, Átis se castrou e correu para a floresta, onde ele sangrou até a morte. Como J. Gresham Machen nota, “O mito não contém nenhum relato de ressurreição; tudo que Cibele [a Grande Deusa Mãe] consegue obter é que o corpo de Átis fosse preservado, que seu cabelo continuasse crescendo e que seu mindinho se movesse.” As afirmações de Zeitgeist de que Átis foi crucificado e ressuscitado são não apenas erradas, como também muito enganadoras. E essa é apenas a ponta do iceberg. A suposta ressurreição de Átis nem ao menos é mencionada até depois de 150 d.C., bem depois da época de Jesus.”

Dr. Norman Geisler, autor de mais de 60 livros, escreve: “O primeiro paralelo real de um deus que more e ressuscita não aparece até 150 d.C., mais de cem anos depois da origem do Cristianismo. Então se houve influencia de um sobre o outro, foi a influencia do evento histórico do Novo Testamento [ressurreição] na mitologia, não o contrário. O único relato conhecido de um deus sobrevivendo à morte anterior ao Cristianismo é o culto Egípcio ao deus Osíris. Nesse mito, Osíris é cortado em catorze partes, espalhado pelo Egito e então remontado e trazido de volta à vida pela deusa Isis. Entretanto, Osíris não volta de fato à vida física, mas se torna um membro de um submundo sombrio…Isso é bem diferente do relato da ressurreição de Jesus, no qual ele era o Príncipe da vida gloriosamente ressuscitado que foi visto por outros na terra antes de sua ascensão ao céu….mesmo se existirem mitos sobre deuses que morrem e ressuscitam antes do Cristianismo, isso não quer dizer que o Novo Testamento copiou eles. A série ficcional de TV Jornada nas Estrelas precedeu o programa de Ônibus Espacial americano, mas isso não quer dizer que os relatos jornalísticos de missões de ônibus espaciais são influenciados por episódios de Jornada nas Estrelas!” (Não tenho fé suficiente para ser ateu, 2004, p. 312).

Dr. Alister McGrath, Professor de Teologia Histórica na Universidade de Oxford, diz: “Paralelos entre os mitos pagãos de deuses que morrem e ressuscitam e os relatos da ressurreição de Jesus no Novo Testamento são agora considerados remotos, para dizer o mínimo…Se alguém tomou ideias emprestadas de alguém, parece que foram os gnósticos que tomaram ideias Cristãs.” (Intellectuals Don’t Need God and Other Modern Myths [Intelectuais Não Precisam de Deus e Outros Mitos Modernos], 1993, p. 121).

Charlie Campbell diz: “Zeitgeist afirma que Mitra, uma divindade mitológica Persa, morreu por três dias e foi ressuscitado. Eu não sou um estudioso do antigo Mitraísmo, mas em nenhum lugar em tudo que já li sobre esse tópico a morte de Mitra sequer chegou a ser discutida, muito menos a história de Zeitgeist sobre três dias em uma cova e uma ressurreição. Edwin Yamauchi, um historiador e autor do livro de 578 páginas Persia and the Bible [A Pérsia e a Bíblia], concorda. Ele diz: ‘Nós não sabemos nada sobre a morte de (The Case for the Real Jesus [O Caso pelo Verdadeiro Jesus], p. 172).”

Dr. Gary Habermas e Dr. J.P. Moreland escrevem: “Nenhum caso claro de qualquer alegado ensinamento ressurrecional aparece em qualquer texto pagão antes do final do segundo século d.C., quase cem anos depois do Novo Testamento ter sido escrito.” (Citado por Dan Story em The Christian Combat Manual: Helps for Defending your Faith: A Handbook for Practical Apologetic [O Manual de Combate Cristão: Ajudas para Denfender sua Fé: Um manual para Apologética Prática] ,2007, p.206).

Dr. William Lane Craig diz: “(N)ós não encontramos quase nenhum vestígio de cultos de deuses que morrem e ressuscitam na Palestina do primeiro século. Além disso, como Hans Grass observa, seria “impensável”, em qualquer caso, que os discípulos iriam vir a acreditar sinceramente que Deus havia ressuscitado Jesus de entre os mortos só por terem ouvido mitos sobre Osíris!” (Dr. William Lane Craig, “Resposta a Evan Fales: On the Empty Tomb of Jesus” [Resposta à Evan Fales: Sobre a Tumba Vazia de Jesus], 2001).

Dr. Ronald Nash, o autor de muitos livros, incluindo The Meaning of History [O Significado da História] e The Gospel and the Greeks: Did the New Testament Borrow from Pagam Thought? [O Evangelho e os Gregos: O Novo Testamento Tomou Emprestado o Pensamento Pagão?] escreve: “Que deuses de mistérios de fato experimentaram uma ressurreição de entre os mortos? Certamente nenhum dos primeiros textos referem-se a alguma ressurreição de Átis. Tentativas de ligar a adoração de Adônis à ressurreição são igualmente fracas. Nem é o caso para uma ressurreição de Osíris mais forte. Após Isis reunir as peças do corpo desmembrado de Osíris, ele se tornou “Senhor do Submundo.”….E, é claro, nenhuma afirmação pode ser feita de que Mitras fosse um deus que morre e ressuscita. O estudioso francês Andre Boulanger conclui: “A concepção de que o deus morre e é ressuscitado para levar seus fiéis à vida eterna não é representada em nenhuma religião de mistérios Helenística.” (The Gospel and the Greeks: Did the New Testament Borrow from Pagan Thought?, p. 161-162)

H. Wayne House escreve: “Várias religiões de mistérios existiriam desde os tempos primordiais na Grécia; porém, é apenas após o primeiro século d.C. que nós começamos a ter muitos dados sobre elas. É mais provável, portanto, que as religiões de mistérios, observando o sucesso do Cristianismo ortodoxo, começaram a imitar suas crenças e práticas, e não o contrário.” (Citado por Dan Story em The Christian Combat Manual: Helps for Defending your Faith: A Handbook for Practical Apologetics, 2007, p. 207).

Dr. Ben Witherington, um eminente estudioso do Novo Testamento e autor de mais de 30 livros, escreve: “Eis aqui o grande ponto: Joseph [o produtor de Zeitgeist] lê a história de Jesus retroativamente nessas outras histórias mitológicas, e então afirma –shazam- que a história de Jesus advém dessas outras histórias, que ele leu anacronicamente à luz da história de Jesus. Isso é tanto má história como má análise religiosa. Em meu conhecimento não há nenhuma história datada antes do tempo de Jesus que tenha a maior parte dos elementos específicos listados no filme como distinguindo a história de Jesus. Por exemplo: a história de uma concepção virginal, crucificação ou ressurreição de um filho divino de Deus.” (The Zeitgeist of the ‘Zeitgeist Movie'” [O Zeitgeist do ‘filme Zeitgeist’])

AFIRMAÇÃO 2: O RELATO DOS TRÊS REIS FOI ROUBADO

RESPOSTA:

Charlie Campbell diz: “A afirmação no filme Zeitgeist de que o Cristianismo roubou a ideia de “três reis” para sua história de natal de religiões antigas é ridícula. A Bíblia não sabe nada sobre “três reis” aparecendo após o nascimento de Jesus. Três reis é uma ideia que aparece ocasionalmente em cartões de Natal mal pesquisados, mas não na Bíblia. O Evangelho de Mateus simplesmente diz “E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos [na tradução inglesa –e, acredito, mais correta -, magis] vieram do oriente a Jerusalém” (Mat. 2:1). Os magi eram conhecidos como homens sábios, não reis. Durante a Idade Média uma lenda de fato se desenvolveu de que os magi eram reis e de que eles eram três em número, mas isso é pura lenda, não algo ensinado nas Escrituras. O ataque enganoso de Zeitgeist à credibilidade dos relatos Evangélicos só revela a sua falta de credibilidade quando se trata de pesquisa acadêmica.”

Joel McDurmon escreve: “Zeitgeist nos informa que os “três reis” são as três estrelas mais brilhantes da constelação do cinturão de Orion, que se alinha com Sirius (a Estrela no Leste) para apontar para o local do nascer do sol. O filme nos garante que “Essas 3 estrelas brilhantes são chamadas hoje da mesma forma que eram em tempos passados: Os Três Reis.” O mesmo antigo problema, porém: nenhuma fonte, exceto seus autores de estimação do século dezenove; nada antes de 1822.” (Zeitgeist The Movie Exposed: Is Jesus an Astrological Myth? [Zeitgeist O Filme Exposto: É Jesus um Mito Astrológico?], p.42).

AFIRMAÇÃO 3: JESUS NUNCA EXISTIU

RESPOSTA:

Charlie Campbell diz: “Insistir que Jesus Cristo é um mito, que Ele nunca existiu, como o filme Zeitgeist faz, é tolice. Além dos vinte e sete documentos do Novo Testamento que verificam que Ele viveu, há trinta e nove fontes fora da Bíblia, escritas no prazo de 150 anos da vida de Jesus que O mencionam. Essas fontes incluem o Talmude Judeu, o historiador romano Tácito, o Didache, Flávio Josefo, Plinio o Jovem, Suetônio, os evangelhos Gnósticos (exemplo: o evangelho de Tomé), etc. Essas fontes extrabíblicas nos revelam mais de 100 fatos sobre Sua vida, ensinos, morte e até mesmo ressurreição. A Encyclopedia Brittanica, decima quinta edição, devota 20,000 palavras à pessoa de Jesus Cristo e nenhuma vez sugere que Ele não existiu. Não seja enganado por Zeitgeist, “Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne” (2 João 7).”

Ben Witherington diz: “Tanto historiadores judeus como Josefo, quanto romanos como Tácito e – mais tarde – Suetônio, são perfeitamente claros de que Jesus realmente existiu, e Tácito nos diz que ele morreu em uma cruz, sendo crucificado sob Pilatos. Aparentemente, o Sr. Joseph [produtor de Zeitgeist] não conseguiu obter nem esse único fato direito. Há mais evidência histórica para a existência de Jesus do que há para a existência de Júlio César, por exemplo….As únicas pessoas que duvidam da existência de Jesus de Nazaré são aquelas que ou odeiam o cristianismo e -por isso- querem que ele desapareça, ou aquelas que não se deram ao trabalho de fazer o dever de casa histórico adequado.” (“The Zeitgeist of the ‘Zeitgeist Movie’”).

Para ajuda adicional nesse assunto, leia: “Did Jesus Really Exist?” [Jesus existiu mesmo?] pelo Dr. Paul L. Maier ou “Ancient Non Christian Sources for the Life of Christ” [Fontes antigas não cristãs para a Vida de Jesus Cristo] pelo Dr. Gary Habermas.

AFIRMAÇÃO 4: A DATA 25 DE DEZEMBRO FOI ROUBADA

RESPOSTA:

Charlie Campbell diz: “Outra crítica lamentável avançada no filme Zeitgeist é que os autores do Novo Testamento tomaram a data 25 de dezembro para o nascimento de Jesus emprestada de fontes pagãs antigas. Isso é ridículo. Será que os produtores de Zeitgeist ao menos leram o Novo Testamento? Onde no Novo Testamento nós temos qualquer data associada ao nascimento de Jesus? Em lugar nenhum! Não temos a menor ideia de quando Jeus nasceu. A data 25 de Dezembro se originou bem antes dos Evangelhos serem escritos. Edwin Yamauchi, um autor, professor, historiador de primeira categoria e autoridade no mundo dos primeiros cristãos, diz que não foi até 336 d.C. que 25 de Dezembro se tornou a data oficial para celebrar o nascimento de Jesus. A ausência absoluta de qualquer data nos documentos do Novo Testamento é suficiente para anular a afirmação de Zeitgeist; a palavra de Yamauchi sobre o assunto é outro prego no caixão.”

Dr. Ben Witherington diz: “A Bíblia não diz nada sobre a data ou época especifica do nascimento de Jesus. A maioria dos estudiosos pensa que foi durante a primavera devido à descrição dos pastores estando nos campos com suas ovelhas.” (“The Zeitgeist of the ‘Zeitgeist Movie’”)

AFIRMAÇÃO 5: O RELATO DO NASCIMENTO VIRGINAL FOI ROUBADO

RESPOSTA:

Daniel B. Wallace escreve: “O nascimento virginal do deus pagão Dionísio é atestado somente em fontes pós-cristãs…vários séculos após Cristo.” (Reinventing Jesus [Reinventando Jesus], p. 242).

Edwin Yamauchi diz: “Não há evidência de um nascimento virginal para Dionísio. De acordo com a história, Zeus, disfarçado de humano, se apaixonou pela princesa Semele, a filha de Cadmus, e ela ficou grávida. Hera, que era rainha de Zeus, tomou providências para que ela fosse carbonizada, mas Zeus salvou o feto e costurou-o à sua própria coxa até Dionísio nascer. Então, isso não é um nascimento virginal de maneira alguma” (The Case for the Real Jesus, p.180)

Edwin Yamauchi diz: “Apesar das alegações de óbvios e profundos paralelos entre o Cristianismo e o Mitraísmo, quando se olha para a evidência uma imagem completamente diferente emerge. Primeiro, Mitra não era pensado como tendo nascido de uma virgem nos mitos mais antigos; pelo contrário, ele surgiu espontaneamente de uma pedra em uma caverna.” (Citado em Reinventing Jesus, p. 242). Lee Strobel adiciona: “A não ser que a pedra seja considerada uma virgem, esse paralelo à Jesus evapora.” (The Case for the Real Jesus, p. 171).

Charlie Campbell diz: “O nascimento virginal do Messias tratado em Mateus e Lucas não foi retirado de religiões pagãs. Ele foi a realização de uma profecia dada no livro de Isaias (7:14), do Antigo Testamento, seis ou sete séculos antes do nascimento de Jesus. E muitos comentaristas bíblicos também acreditam que Gênesis 3:15 profetiza o nascimento virginal, visto que o Messias nasceria apenas da  semente da mulher.”

Charlie Campbell diz: “O filme Zeitgeist diz que Krishna, uma susposta encarnação do deus Hindu Vishnu, nasceu de uma virgem. Edwin Yamauchi diz “Isso não está correto. Krishna nasceu de uma mãe que já tinha sete filhos anteriores, como até seus seguidores concedem.” (Citado por Lee Strobel em The Case for the Real Jesus, p. 182).

AFIRMAÇÃO 6: A ÉPOCA DO NASCIMENTO DE JESUS ESTÁ CONECTADA AO CICLO ASTROLÓGICO

Ben Witherington escreve: “Muito caso é feito pelo Sr. Joseph [produtor de Zeitgeist] sobre como em 1 d.C. uma nova ‘era’ ou ciclo astrológico começa, após a era do Carneiro. Infelizmente para o Sr. Joseph, Jesus nasceu em algum ano entre 2 e 6 a.C. Ele não nasceu em 1 a.C. Como sabemos disso? Porque Jesus nasceu enquanto Herodes o Grande ainda era rei da Terra Santa, e os registros são claros de que Herodes morreu em cerca de 2 a.C., portanto, Jesus tem que ter nascido antes disso (veja meus artigos sobre esse assunto no Dictionary of Jesus and the Gospels [Dicionário de Jesus e dos Evangelhos]). Como, então, nós temos nosso calendário moderno? Bem, ele foi definido por um homem chamado Dionísio o Menor…que tinha muito tempo livre em mãos, e estimou a virada da era como estando no momento em que a temos agora, baseando-se em quando ele pensou que Jesus nasceu. Ele errou por  cerca de quatro anos. De qualquer maneira, o nascimento de Jesus ocorre antes da suposta mudança de eras no esquema astrológico apregoado pelo Sr. Joseph. O nascimento de Jesus certamente não inaugurou a era de Pisces, ou peixe. O símbolo do peixe surge no Cristianismo do valor gemátrico da palavra Grega ICHTHUS, com cada letra representando uma palavra, nesse caso Insous, Christos, theos, uios e soter  – Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador. Seria muito agradável se ele ao menos tivesse entendido a parte astrológica e simbólica direito – mas, infelizmente, abandone a esperança, ele não fez sua lição de casa direito nem mesmo sobre esse assunto.” (“The Zeitgeist of the ‘Zeitgeist Movie’”)

AFIRMAÇÃO 7: A HISTÓRIA DA VIDA DE JESUS FOI ROUBADA DO MISTRAÍSMO

RESPOSTA:

Charlie Campbell escreve: “Zeitgeist afirma que os eventos ao redor da vida de Mitra foram roubados pelos autores do Novo Testamento. Essas afirmações não são dignas de confiança. Até mesmo a Encyclopedia Britannica concede que o Mitraísmo (a religião associada à Mitra) não poderia ter influenciado os escritores do Evangelho. Ela afirma: “Há pouca atenção ao deus Persa [Mitra] no mundo Romano antes do inicio do século 2; entretanto, do ano 136 d.C. em diante, há milhares de inscrições dedicatórias à Mitra. Essa renovação de interesse não é facilmente explicada. A hipótese mais plausível parece ser que o Mitraísmo Romano era praticamente uma nova criação, forjada por um gênio religioso que pode ter vivido tão tarde quanto cerca de 100 a.C. e que deu às tradicionais cerimônias persas uma nova interpretação Platônica que permitiu ao Mitraísmo se tornar aceitável ao mundo Romano” (Artigo: Mitraísmo, edição de 2004). Os quatro Evangelhos foram feitos bem antes do fim do primeiro século. Se o Mitraísmo nem mesmo era conhecido no mundo romano no primeiro século, como a Encyclopedia Britannica afirma, então é equivocado sugerir que ensinamentos relacionados à Mitra influenciaram os escritores do Evangelho.”

Ron Nash escreve: “Alegações de uma dependência dos primeiros cristãos em relação ao Mitraísmo foram rejeitadas em muitas bases. O Mitraísmo não possuía nenhum conceito de morte e ressurreição para seu deus e nenhum lugar para qualquer conceito de renascimento – pelo menos em seus estágios iniciais…. Durante os estágios iniciais do culto, a noção de renascimento teria sido estranha à sua perspectiva básica….Além disso, o Mitraísmo era basicamente um culto militar. Portanto, é preciso ser cético sobre sugestões de que ele atraía pessoas não militares como os primeiros cristãos. (Christianity and the Hellenistic World [O Cristianismo e o Mundo Helenístico], p. 144).

Ben Witherington escreve: “Nós, de fato, não temos nenhuma fonte antiga sobre Mitra comparável ao que nós temos sobre Moisés e os Israelitas. Quase tudo que sabemos sobre o Mitraísmo vem da era do NT e depois. Não há nenhuma boa razão histórica para pensar que o Mitraísmo é a origem seja do Judaísmo ou do Cristianismo.” (“The Zeitgeist of the ‘Zeitgeist Movie’”)

O apóstolo Pedro escreveu: “De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; pelo contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade. Ele recebeu honra e glória da parte de Deus Pai, quando da suprema glória lhe foi dirigida a voz que disse: “Este é o meu filho amado, em quem me agrado”. Nós mesmos ouvimos essa voz vinda do céu, quando estávamos com ele no monte santo” (2 Pedro 1:16-18)

AFIRMAÇÃO 8: A HISTÓRIA DA CRUCIFICAÇÃO FOI ROUBADA

RESPOSTA:

O Dr. Edwin Bryant é Professor de Hinduísmo na Rutgers University e um estudioso do Hinduísmo. Ele Traduziu o Bhagavata-Purana (vida de Krishna) para Peguine World Classics [Clássicos Mundiais Peguine] e é o autor de Krishna: A Sourcebook [Krishna: Um livro-fonte]. Quando perguntado sobre a afirmação de que Krishna [um deus Hindu] havia sido crucificado, ele respondeu: “Isso é um absoluto e completo absurdo. Não há absolutamente nenhuma menção, em lugar algum, que aluda a uma crucificação”. Ele adicionou que Krishna foi morto por uma flecha  de um caçador que acidentalme1nte atirou em seu calcanhar. Ele morreu e então ascendeu. Não foi uma ressurreição. (Citado em “A Refutation of Acharya S’s book, The Christ Conspiracy [Uma Refutação do livro de Acharya S, A Conspiração de Cristo] por Mike Licona. The Christ Conspiracy é a fonte de muitas das alegações de Zeitgeist).

Edwin Yamauchi diz: “Todos esses mitos são representações repetitivas, simbólicas da morte e renascimento da vegetação. Essas não são figuras históricas, e nenhuma de suas mortes pretendia providenciar salvação. No caso de Jesus, até mesmo autoridades não Cristãs, como Josefo e Tácito, reportam que ele morreu sob Pôncio Pilatos no reinado de Tibério. Os relatos de sua ressurreição são bem antigos e fundados em relatos de testemunhas oculares. Eles têm um soar de realidade, não as qualidades etéreas de mito.” (Citado por Lee Strobel em The Case for the Real Jesus, p. 178).

AFIRMAÇÃO 9: A IDEIA PARA DOZE DISCÍPULOS FOI TOMADA DAS 12 CONSTELAÇÕES DO ZODÍACO

Joel McDurmon escreve: “Zeitgeist chega a afirmar que “provavelmente o mais óbvio de todos os simbolismos astrológicos ao redor de Jesus diz respeito aos 12 discípulos,” que, o filme afirma, são “as 12 constelações do Zodíaco, com quem Jesus, sendo o Sol, viaja com.” Porque qualquer pessoa consideraria essa a “mais óbvia” de tais evidências eu não sei – eu nunca tinha ouvido ela até agora. Fosse ela tão óbvia você esperaria que ela fosse amplamente afirmada. Adiante, o que a torna tão “óbvia”? A única similaridade entre os dois é o número doze, para o qual exemplos podem ser achados em qualquer lugar. O mais “óbvio” desses, para qualquer pesquisador “real” são as doze tribos de Israel. Como Jesus estava cumprindo a Antiga Aliança, e instituindo a Nova Aliança, ele escolheu doze “Novas” tribos. O próprio Jesus disse que os discípulos sentariam como juízes sobre as doze tribos (Mat. 19:28). Esse é um paralelo histórico genuíno que é reforçado no livro de Apocalipse, quando esses doze são reunidos na Nova Jerusalém (Ap. 21:12-14). Por quê se dar ao trabalho de procurar paralelos tão selvagens nas estrelas quando a Bíblia é auto consistente em seu simbolismo? A teologia Bíblica não precisa da ajuda dos astrólogos, que ela mesma despreza, de qualquer jeito. O filme até nota que “o número 12 é repleto através da bíblia”, mas então esquece o impacto desse fato e conclui, arbitrariamente “Esse texto tem mais a ver com astrologia do que qualquer outra coisa.” Se a Bíblia contém o número 12 repetidamente, pra quê ir fora da Bíblia para interpretar que significância “12 discípulos” podem ter? Fazer isso revela um desejo de impor um significado não-Bíblico ao texto da Bíblia.” (Zeitgeist The Movie Exposed: Is Jesus an Astrological Myth?, p. 56).

Dr. Ben Witherington afirma: “E quanto à afirmação de que os doze discípulos representam as 12 constelações do Zodíaco? Bem… Uma vez mais, o Sr. Joseph [o produtor de Zeitgeist] não se deu o trabalho de fazer seu dever de casa. Existia essa pequena entidade chamada de 12 tribos de Israel, voltando até Jacó e seus 12 filhos. Essas histórias em Gênesis não são nem um pouco astrológicas em caráter, mas, pelo contrário, explicações das origens históricas de um povo. Os 12 discípulos são escolhidos por Jesus, não porque ele era um observador de estrelas, mas porque ele estava tentando reformar, e de fato re-formar, Israel. Os doze discípulos representam as 12 tribos de Israel, e você vai lembrar que Jesus prometeu que durante o eschaton [o reino vindouro de Jesus] esses estarão sentados em 12 tronos, julgando aquelas 12 tribos [veja Mateus 19:28]. Uma vez mais, esse é um tipo de pensamento histórico e escatológico, e não astrológico, e a afirmação de que a Bíblia tem mais a ver com a astrologia que qualquer outra coisa pode apenas ser chamada de erro de categoria. Claramente, o Sr. Joseph não fez nenhum esforço sequer no estudo dos vários gêneros de literatura Bíblica que ele conseguiria em qualquer introdução padrão à Bíblia, incluindo aqueles escritos por agnósticos e céticos.” (“The Zeitgeist of the ‘Zeitgeist Movie’”)

AFIRMAÇÃO 10: HÓRUS NASCEU DE UMA VIRGEM EM 25 DE DEZEMBRO, RESSUSCITOU, ETC

Dr. Ben Witherington diz: “Infelizmente ele [Zeitgeist] erra sobre a maior parte da história de Hórus. Ele afirma que os mitos de Hórus afirmam que ele nasceu em 25 de Dezembro, nascido de uma virgem, estrela no leste, adorado por reis, e que foi um professor aos 12. Isso, ele afirma, era a forma original do mito em 3000 a.C. Seria agradável saber como o Sr. Joseph aprendeu isso, visto que não temos nenhum texto Egípcio antigo que vá tão longe em relação a esse assunto. Além disso, a desinformação que ele passa no filme é refutada por numerosas análises das fontes adequadas…novamente, não apenas é o Sr. Joseph culpado de falsamente misturar várias religiões que se desenvolveram largamente regionalmente e independentes umas das outras, como de falsificar algumas das afirmações feitas em mitos Egípcios…Ironicamente, ele faz um desserviço a todas as religiões que ele discute….Eu poderia continuar comentando sobre os erros egrégios em sua apresentação de Hórus, que não era chamado de cordeiro de Deus, e não foi crucificado e ressuscitado, nem mesmo no mito. A história de Hórus é, obviamente, a história da morte e renascimento do sol no leste, e é baseada em ciclos da natureza, e não em qualquer tipo de reinvindicação histórica, diferentemente da história de Jesus. Mas, mais ao ponto, a história de Hórus não inclui muitos dos elementos que Joseph afirma que inclui – vergonha para ele por não fazer seu dever de casa direito nem em Egiptologia.” (“The Zeitgeist of the ‘Zeitgeist Movie'”)

Dr. Ben Witherington diz: “Não havia tal coisa como o conceito de ressurreição corporal na religião Egípcia, e certamente não de uma divindade mitológica; não se acreditava que Hórus tivesse um corpo humano. De vez em quando comentaristas utilizarão o termo ressurreição para falar livremente sobre um pós-morte em outro mundo, e não um retorno corporal à esse mundo.” (“The Zeitgeist of the ‘Zeitgeist Movie'”)

AFIRMAÇÃO 11: O SÍMBOL ODA CRUZ FOI ROUBADO DE UMA CRUZ NO ZODÍACO

Dr. Ben Witherington diz: “O Sr. Joseph [produtor de Zeitgeist] pensa que isso [a origem do símbolo da cruz] deriva da cruz do Zodíaco imposta no círculo dos 12 signos astrológico do Zodíaco. Há vários problemas com essa teoria. Primeiro considere o padrão zodiacal mais antigo e básico que possuímos –por exemplo, no chão da sinagoga de Sepphoris. Judeus, como todo outro grupo de pessoas agrárias, se interessavam no clima e nas estações. Nós encontramos um padrão de cruz? [veja a imagem do zodíaco à esquerda]….Meu caso é símbolo. O Sr. Joseph não fez nenhum trabalho histórico de primeira mão sobre símbolos zodiacais antigos, ele simplesmente acreditou nas tolices embebidas nele por várias fontes antiquadas e incorretas. A origem do símbolo da cruz, é claro, deriva da prática romana da crucificação, não de algum suposto padrão astrológico. Jesus morreu em 30 d.C. em uma cruz do lado de fora de Jerusalém, uma vítima da injustiça romana, como até os romanos admitiram. (“The Zeitgeist of the ‘Zeitgeist Movie'”)


AFIRMAÇÃO 12: OS TRABALHOS DE JOSEFO SÃO CONHECIDAMENTE FRAUDULENTOS E PORTANTO NÃO SÃO BOAS EVIDÊNCIS EXTRABÍBLICAS DA EXISTÊNCIA DE JESUS

Dr. Ben Witherington diz: “Os trabalhos de Josefo certamente não são fraudulentos. Como é típico do Sr. Joseph [produtor de Zeitgeist], ele pode ter ouvido que provavelmente existem algumas interpolações cristãs nas edições tardias de Josefo, visto que cristãos amavam e utilizavam a obra; porém, todos os estudiosos de Josefo que eu conheço na guilda, e há alguns muito bons (Greg Sterling e Steve Mason me vêm à mente) são bem claros de que esses são trabalhos genuínos de Josefo. O ponto importante para nossos propósitos é que nenhum estudioso de Josefo, conhecido por mim, incluindo aqueles que são Judeus, pensa que as passagens em suas obras sobre João Batista e Jesus são todas interpolações tardias.” (“The Zeitgeist of the ‘Zeitgeist Movie'”)

Louis Feldman, o proeminente estudioso de Josefo e autor, que não é cristão, disse: “Minha estimativa é que a razão daqueles [estudiosos] que de alguma maneira aceitam o Testimonium [em relação aqueles que rejeitam tudo como interpolação] seria de pelo menos 3 para 1. Eu não me surpreenderia se ela fosse tão grande quanto 5 para 1.” (Em um email para o estudioso do Novo Testamento Mike Licona)

AFIRMAÇÃO 13: A HISTÓRIA DA ARCA DE NOÉ É PLAGIARIZADA DE OUTRAS FONTES

Joel McDurmon escreve: “Zeitgeist nos conta que a história da Arca de Noé e do Dilúvio não é única: O conceito de um Grande Dilúvio é ubíquo ao redor do mundo antigo, com cerca de 200 afirmações citadas em diferentes períodos e épocas.” É agradável ver que o pessoal do Zeitgeist está finalmente alcançando estudiosos Cristãos em um assunto. Nós estamos apontando o fenômeno mundial de histórias de dilúvio já há décadas agora, tentando fazer as pessoas perceberem que o dilúvio de fato ocorreu! Agora Zeitgeist vêm e decide usar esse fato contra nós? Esses caras estão tão ansiosos para achar paralelos que eles nem pararam pra pensar: paralelos as vezes trabalham em apoio à Bíblia, não contra ela. Afinal, se realmente ocorreu um dilúvio mundial milhares de anos atrás, encontrar múltiplas tradições da mesma história ao redor de todo o mundo é exatamente o que devemos esperar. E é isso que de fato encontramos. Quase todas essas tradições de dilúvio recordam um dilúvio universal em que apenas uma pequena parcela da população é salva. Alguns adicionam a construção de uma arca e a salvação dos animais. Alguns recordam a arca pousando em uma montanha; alguns o envio de pássaros, etc. É simplesmente racional que algumas lendas mais antigas, especialmente aquelas que permaneceram geograficamente próximas e similares em linguagem, por acaso tenham uma tradição similar àquela da Bíblia. (Zeitgeist The Movie Exposed: Is Jesus an Astrological Myth?, p. 61-62).”

UM SUMÁRIO DE SETE ARGUMENTOS CONTRA A DEPENDÊNCIA CRISTÃ EM RELIGIÕES DE MISTÉRIOS POR RON NASH:

(1) Os argumentos oferecidos para “provar” uma dependência Cristã nos mistérios ilustra a falácia lógica da falsa causa. Essa falácia é cometida sempre que alguém raciocina que só porque duas coisas existem lado-a-lado, uma delas tem que ter causado a outra. Como todos deveríamos saber, mera coincidência não prova conexão causal. E nem similaridade prova dependência.

(2) Muitas das alegadas similaridades entre o Cristianismo e os mistérios são ou grandemente exageradas ou fabricadas. Estudiosos vez ou outra descrevem rituais pagãos em uma linguagem que eles tomam emprestada do Cristianismo. O uso descuidado da linguagem pode levar alguém a falar de uma “Última ceia” no Mitraísmo ou um “batismo” no culto de Isis. É um absurdo indesculpável pegar a palavra “salvador” com todas as suas conotações Neotestamentárias e aplica-la à Osíris ou Átis como se eles fossem deuses-salvadores em qualquer sentido similar.

(3) A cronologia está toda errada. Quase todas nossas fontes de informação sobre as religiões pagãs que alegadas como tendo influenciado o cristianismo primitivo são datadas muito tardiamente. Nós frequentemente encontramos escritores citando documentos escritos 300 anos depois de Paulo em uma tentativa de produzir ideias que supostamente influenciaram Paulo. Devemos rejeitar a suposição de que apenas porque um culto tinha certa crença ou prática no terceiro ou quarto século após Cristo isso implica que ele tinha a mesma crença ou prática no primeiro século.

(4) Paulo nunca teria conscientemente tomado algo emprestado de religiões pagãs. Todas nossas informações sobre ele tornam altamente improvável que ele fosse, em qualquer sentido, influenciado por fontes pagãs. Ele punha grande ênfase em seu treinamento inicial em uma forma estrita de Judaísmo (Fp. 3:5). Ele advertia os Colossenses contra o próprio tipo de influência que proponentes de sincretismo cristão atribuem a ele, isto é, deixar suas mentes serem capturadas por especulações estrangeiras (Cl. 2:8).

(5) O Cristianismo Primitivo era uma fé exclusivista. Como J. Machen explica, as religiões de mistérios eram não-exclusivas. “Um homem poderia se tornar um iniciado nos mistérios de Isis ou Mitras sem ter que abandonar suas antigas crenças; porém, se ele quisesse ser recebido na Igreja, de acordo com a pregação de Paulo, ele deveria esquecer todos os outros Salvadores pelo Senhor Jesus Cristo….No meio do sincretismo prevalecente do mundo Greco-Romano, a religião de Paulo, juntamente com a religião de Israel, está absolutamente sozinha.” Esse exclusivismo Cristão deveria ser um ponto de partida para toda a reflexão sobre as possíveis relações entre o Cristianismo e seus competidores pagãos. Qualquer sugestão de sincretismo no Novo Testamento teria causado controvérsia imediata.

(6) Ao contrário dos mistérios, a religião de Paulo estava baseada em eventos que de fato haviam acontecido na história. O misticismo dos cultos de mistérios eram essencialmente não históricos. Seus mitos eram dramas, ou gravuras, daquilo pelo que passava o iniciado, não de eventos históricos reais, como Paulo considerava que fossem a morte e ressurreição de Cristo. A afirmativa Cristã de que a morte e ressurreição de Cristo aconteceram a uma pessoa histórica em um período particular não tem absolutamente nenhum paralelo em nenhuma religião de mistérios pagã.

(7) Os poucos paralelos que permanecem podem refletir uma influência Cristã nos sistemas pagãos. Como Bruce Metzger argumentou: “Não se pode presumir acriticamente que os Mistérios sempre influenciaram o Cristianismo, pois não é apenas possível, mas provável, que, em certos casos, a influência se moveu na direção oposta.”[22] Não deveria ser surpreendente que líderes de cultos que estavam sendo exitosamente   desafiados pelo cristianismo fizessem algo para combater o desafio. Que jeito melhor de fazer isso do que oferecer um substituto pagão? Tentativas pagãs de combater a crescente influência do Cristianismo imitando-o são claramente aparentes em medidas instituídas por Juliano o Apostata, que foi o imperador Romano de 361 à 363 d.C. (Extraído desse artigo “Was the New Testament Influenced by Pagan Religions” [Foi o Novo Testamento Influenciado por Religiões Pagãs] que primeiro apareceu no Christian Research Journal [Jornal de Pesquisa Cristão], Inverno, 1994).

OUTRAS CITAÇÕES DIVERSAS:

Dr. Ronald Nash diz: “Não é até nós chegarmos ao terceiro século d.C. que encontramos material-fonte suficiente (ou seja, informações sobre as religiões de mistérios obtidas em escritos da época) para permitir uma reconstrução relativamente completa de seu conteúdo. Muitos escritores usam esse material-fonte tardio (após 200 d.C.) para formar reconstruções da experiência de mistérios do século três e então, acriticamente, raciociná-las de volta ao que eles acham que deve ter sido a natureza anterior dos cultos. Essa prática é um estudo excepcionalmente ruim e não deveria ser permitida à existir sem desafio. Informações sobre um culto que vêm várias centenas de anos após o fechamento do cânon do Novo Testamento não podem ser lidas retroativamente no que se presume ter sido o status de um culto durante o primeiro século d.C. A questão crucial  não é que possível influencia as religiões de mistérios tiveram em segmentos da Cristandade após 400 d.C., mas que efeito os mistérios emergentes podem ter tido no Novo Testamento no primeiro século.” (Artigo “Was the New Testament Influenced by Pagan Religions”)

Dr. Ronald Nash diz: “Muitos estudantes universitários cristãos encontraram críticas ao Cristianismo baseadas em afirmações de que o Cristianismo Primitivo e o Novo Testamento tomaram emprestadas importantes crenças e práticas de um grande número de religiões de mistérios pagãs. Visto que essas afirmações minam tais doutrinas centrais ao Cristianismo como a morte e ressurreição de Cristo, as acusações são sérias. Mas a evidência para tais afirmações, quando ela existe, comumente se encontra em documentos escritos vários séculos [depois] do novo testamento. Além disso, os alegados paralelos muitas vezes resultam de estudiosos liberais acriticamente descrevendo crenças e práticas pagãs em linguagem cristã e então se maravilhando com os chocantes paralelos que eles pensam ter descoberto.” (Artigo “Was the New Testament Influenced by Pagan Religions”)

ARTIGOS:

“Was the New Testament Influenced by Pagan Religions” por Ronald Nash

The Zeitgeist of the ‘Zeitgeist Movie'” por Ben Witherington

“A Refutation of Acharya S’s book, The Christ Conspiracy por Mike Licona
[The Christ Conspiracy é a maior fonte de informações de Zeitgeist].

“Christianity, the Resurrection of Christ and the Mystery Religions” pelos Dr. John Ankerberg e Dr. John Weldon

“Was Christianity Borrowed from Mithraism?” por Dr. Norman Geisler

“Paul and the Mystery Religions” por Don Closson

“A Summary Critique: The Mythological Jesus Mysteries” por H. Wayne House

“Ancient Non-Christian Sources for the Life of Christ” por Gary Habermas

Fim da minha tradução aqui. O fim do artigo consiste em áudios e livros recomendados pelo autor do artigo. Aqueles que souberem inglês podem conferi-los no endereço original do artigo, encontrável lá no inicio do meu post. Se quiserem (e puderem) comprá-los, saibam que eles são certamente úteis.

EDIT (21/08/2015: Para quem quiser, uma crítica bem completa de um site cético, citando várias fontes também: http://conspiracies.skepticproject.com/articles/zeitgeist/part-one/)