A Arqueologia e a Confiabilidade Histórica do Novo Testamento (Revisado em Julho de 2012)

Peter S. Williams (tradução: teismocristão.wordpress.com)

Fonte:http://www.bethinking.org/bible-jesus/archaeology-and-the-historical-reliability-of-the-new-testament.htm

Se virem que ele revisou de novo, favor avisar.

“Em geral … o trabalho arqueológico inquestionavelmente fortaleceu a confiança na confiabilidade do registro Escritural. Mais do que um arqueólogo achou seu respeito à Bíblia fortalecido pela experiência de escavação na Palestina. A arqueologia, em muitos casos, refutou as opiniões de críticos modernos.”

– Millar Burrows, Professor de Archaeologia, Universidade de Yale[1]

Charlotte Allen observa que “A Arqueologia, que era então uma ciência jovem, foi amplamente ignorada pelos estudiosos bíblicos acadêmicos do século [dezenove]. Para os grandes exegetas Alemães da época … uma viagem para a Palestina não vinha ao caso, já que a vida do Jesus histórico era, para eles, apenas uma questão de interpretar textos.”[2] Hoje, estudiosos sabem que a informação arqueológica pode ser uma ajuda valiosas para interpretar textos, assim como providenciar julgamento independente da veracidade histórica de um texto. Allen afirma que escavações arqueológicas na Terra Santa “tendem a ajudar o valor histórico dos Evangelhos, pelo menos como fontes de informação sobre as condições de seus tempos.”[3] Como Nelson Glueck afirma, por um lado “Pode ser afirmado categoricamente que nenhuma descoberta arqueológica já contraverteu a referência bíblica”, enquanto pelo outro “Um bom número de descobertas arqueológicas foram feitas que confirmam em contorno claro ou detalhe específico afirmações históricas na Bíblia.”[4] O arqueólogo William F. Albright observa:

O ceticismo excessivo demonstrado em direção à Bíblia por escolas históricas importantes dos séculos dezoito e dezenove, certas fases do qual ainda aparecem periodicamente, foi progressivamente desacreditado. Descoberta após descoberta estabeleceu a acurácia de inumeráveis detalhes, e trouxe maior reconhecimento do valor da Bíblia como uma fonte de história.[5]

De maneira semelhante, Joseph Free confirma “A arqueologia confirmou incontáveis passagens que haviam sido rejeitadas por críticos como não históricas ou contrárias à fatos conhecidos.”[6] O teólogo Craig L. Blomberg nota como:

a arqueologia pode demonstrar que os locais mencionados nos Evangelhos realmente existiram e que costumes, tradições vivas, topografia, móveis e ferramentas domésticas e de ambientes de trabalho, estradas, moedas, construções e numerosos outros ‘adereços de palco’ correspondem à como os Evangelhos os descrevem. Ela pode mostrar que os nomes de certos personagens nos Evangelhos são precisos, quando achamos referências à eles nas inscrições em outros locais. Eventos e ensinamentos atribuídos a Jesus se tornam inteligíveis e, com isso, plausíveis quando lidos ante tudo que sabemos sobre a vida na Palestina no primeiro terço do primeiro século.[7]

O arqueólogo Jonathan L. Reed observa que “As muitas descobertas arqueológicas se relacionando à pessoas, locais ou títulos mencionados em Atos de fato lhe dá credibilidade em um nível; muitos dos detalhes específicos em Atos são fatuais.”[8] E Lee Strobel observa:

Ao tentar determinar se uma testemunha está sendo sincera, jornalistas e advogados vão testar todos os elementos de seu testemunho que podem ser testados. Se essa investigação revelar que a pessoa estava errada nesses detalhes, isto lança uma dúvida considerável na veracidade de toda a história. Porém, se as minúcias conferem, isto é alguma indicação – não prova conclusiva, mas alguma evidência – de que talvez a testemunha está sendo confiável em sua história geral.[9]

Revisaremos evidências arqueológicas sob as seguintes três categorias:

• Cultura – Crenças e práticas
• Locais –  Centros urbanos e construções individuais
• Pessoas – Títulos, Nomes e Relacionamentos

Cultura

Aqui está uma seleção de achados que se relacionam às práticas culturais mencionadas no Novo Testamento.

Vitima de Crucifixão

Em 1968 um antigo sítio de sepultamentos foi descoberto, contendo cerca de 35 corpos. Um, chamado Yohanan Bem Há’galgol, tinha um prego de 7 polegadas [17.78 cm] atravessado por ambos os pés; As pernas de Yohanan haviam sido esmagadas por uma pancada consistente com o uso comum do ‘crucifragium’ Romano (João 19:31-32). Isso prova que uma vítima de crucificação (como Jesus) poderia receber um sepultamento judeu adequado.

O Decreto de Nazaré

O “decreto de Nazaré” é uma placa de mármore encontrada em Nazaré em 1878 e inscrita com um decreto emitido por volta de 41 d.C. pelo Imperador Cláudio (41-54 d.C) segundo o qual nenhum túmulo deveria ser perturbado ou corpos extraídos, com infratores sendo sentenciados à morte. Uma explicação plausível de ambos o decreto e sua localização é que Cláudio ouviu falar da tumba vazia de Jesus enquanto investigava os tumultos Romanos de 49 d.C. e decidiu não deixar tais relatos voltassem à tona de novo. Isso faz sentido à luz do argumento Judeu de que o corpo de Jesus havia sido roubado (Mateus 28:11-15). Porém, “mesmo que não haja nenhuma conexão consciente com Jesus de Nazaré, esse decreto ainda revela que as autoridades imperiais nesse período viam o roubo de túmulos como um crime extremamente sério – de fato, uma ofensa capital. Isso só torna ainda mais improvável que os (já temerosos) discípulos teriam arriscado tal ato.”[10]

Lepra no Primeiro Século

Algumas pessoas sugeriram que não havia “lepra” (ou seja, Mycobacterium Leprae ou hanseníase) no Oriente Médio nos dias de Jesus:

Porém, graças à arqueologia, há agora evidência dramática de sua existência no inicio do primeiro século. Testes científicos do sudário funerário da assim-chamada ‘Tumba do Sudário’ confirmaram a presença de lepra … Datação por radiocarbono utilizando Espectrometria de Massa com Acelerador (AMS) confirmou a data de primeiro século de ambos sudário e restos ósseos. Teste de DNA confirmou que o homem envolto no sudário era parente de outros membros cujos restos ósseos foram recuperados na tumba. Esse teste de DNA também revelou que o homem sofreu de lepra….[11]

Barco-de-Pesca do Primeiro Século

Nos anos 1980, uma estiagem expôs um barco-de-pesca do primeiro século bem-preservado (medindo 26.5 pés de comprimento, 7.5 pés de largura e 4.5 pés de altura) [8.0772 metros de comprimento, 2.286 metros de largura e 1.3716 metros de altura] na lama do Mar da Galiléia:

Sob o comando da Autoridade de Antiguidades Israelense, arqueólogos começaram uma corrida contra o tempo para extrair cuidadosamente o barco da lama antes que as águas retornassem … Eventualmente ele foi colocado em um ambiente de clima controlado para protegê-lo do envelhecimento … Potes e lâmpadas encontrados dentro do barco o datavam ao primeiro século. O design do barco era típico de barcos-de-pesca usados durante aquele período no Mar da Galileia. No fundo do barco havia uma seção elevada como aquela em que Jesus poderia estar dormindo, como indicado pelos relatos dos Evangelhos. O barco poderia acomodar 15 pessoas incluindo sua tripulação. Essa descoberta arqueológica confirma a descrição dada na Bíblia.[12]

A Inscrição Politarca

Lucas narra:

Tendo Paulo e seus companheiros passado por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica…  Paulo foi à sinagoga e por três sábados discutiu com eles com base nas Escrituras, explicando e provando que o Cristo deveria sofrer e ressuscitar dentre os mortos. E dizia: “Este Jesus que lhes proclamo é o Cristo”. Alguns dos judeus foram persuadidos e se uniram a Paulo e Silas, bem como muitos gregos tementes a Deus, e não poucas mulheres de alta posição. Mas outros judeus ficaram com inveja; então eles reuniram alguns homens perversos no mercado, formaram uma multidão e iniciaram um tumulto na cidade. Invadiram a casa de Jasom, em busca de Paulo e Silas, a fim de trazê-los para o meio da multidão. Contudo, não os achando, arrastaram Jasom e alguns outros irmãos para diante dos oficiais da cidade, gritando: “Esses homens que têm causado alvoroço por todo o mundo, agora chegaram aqui, e Jasom os recebeu em sua casa. Todos eles estão agindo contra os decretos de César, dizendo que existe um outro rei, chamado Jesus”. Ouvindo isso, a multidão e os oficiais da cidade ficaram agitados. Então receberam de Jasom e dos outros a fiança estipulada e os soltaram. (Atos 17:1-10)

O termo Grego traduzido aqui como “oficiais da cidade” é politarcas. Como o termo não aparece na literatura clássica, “Críticos do Novo Testamento afirmaram por muitos anos que Lucas estava enganado em seu uso do termo ‘politarcas’ … para os oficiais de Tessalônica…”[13] Porém, uma inscrição usando esse termo foi encontrada em um arco do primeiro século d.C.  demolido em 1867. Como T.C. Mitchell descreve:

A inscrição lista os oficiais da cidade no segundo século d.C., começando com seis Politarcas e nomeando o Tesoureiro e o Ginasiarca (Diretor de Educação Superior) da cidade. A inscrição começa politarchounton, ‘Enquanto [os seguintes] estavam agindo como Politarcas’ … Vale a pena notar que dois dos nomes que aparecem nessa inscrição, Sosipatros … e Lucius … eram utilizados por dois nomes na Beréia os quais Paulo descreve como … ‘irmãos’, mas nesse contexto talvez Judeus Cristãos (Romanos 16:21). Igualmente, os nomes Secundos … e Gaius … eram usados por um homem de Tessalônica (Atos 20:4) e um Macedônio (Atos 19:29) que eram companheiros de viagem de Paulo. Esses não eram, é claro, os mesmos homens, mas simplesmente demonstram a contemporaneidade do uso dos nomes pessoais na área no século após o tempo de Paulo.[14]

Palíndromos de Pompéia

Escavadas em Pompéia, a cidade Romana envolvida em lama líquida quando o Vesúvio entrou em erupção em 79 d.C., existiam duas inscrições palindrômicas do:

famoso quadrado SATOR ou ROTAS, um riscado na parede de uma casa privada, o outro em um pilar em um pátio de exercícios público. Esse palíndromo aparece em sítios em todo o Império Romano em séculos posteriores … Toda sorte de explanações engenhosas foram oferecidas para esse notável quadrado. No principio de que a explicação mais simples é a melhor,  desvendá-lo como um texto Cristão ganha o  primeiro lugar. Com a letra N no centro, as outras letras podem ser reordenadas em um formato de cruz para ler PATERNOSTER [‘Pai Nosso’] horizontal e verticalmente, com A [alfa] e O [ômega]  em cada ponta. Se isso estiver certo, haviam pessoas em Pompéia que sabiam pelo menos as primeiras palavras do Pai Nosso em Latim antes de 79.[15]

A Grafite de Alexamenos

Esse pedaço de grafite, de perto do Monte Palatino em Roma e rudemente datado ao fim do segundo século d.C.[16], foi aparentemente desenhado por um soldado Romano para zombar da fé de um colega soldado que era Cristão. Ele mostra um homem em pé ao lado de uma vítima de crucificação com a cabeça de um jumento. A legenda Grega lê: “Alexamenos adora [seu] Deus”.

Igreja Cristã em Megido, c. 230 d.C.

John Dickson relata que “Megido é o sítio do primeiro prédio de igreja já encontrado. Essa cidade comercial estratégica contém os restos de uma sala de orações Cristã datada do terceiro século. Ela contém três inscrições em mosaicos que apontam para seu uso Cristão.”[17] Uma inscrição Grega, que se refere à mesa no centro da sala, que provavelmente era usada para a comunhão, afirma “Akeptous, que ama a Deus, ofereceu a mesa ao Deus Jesus Cristo”. O peixe que adorna o centro de um de quatro mosaicos na sala é um símbolo Cristão – a palavra ichthys (peixe em Grego): “é um anagrama das palavras Iesous Christos Theou Yios Soter: Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador” (para um vídeo desse achado cf. http://youtu.be/a2lcDvAMzQ8).

Locais

Aqui está uma seleção de achados relacionados à lugares mencionados no Novo Testamento.

Belém

Em Maio de 2012, a Autoridade de Antiguidades de Israel anunciou a descoberta de uma bulla (um pequeno selo de argila) que menciona Belém, a cidade natal de Jesus (cf. links para uma foto[18] e um vídeo[19] da bulla):

O primeiro artefato antigo constituindo evidência tangível da existência da cidade de Belém, que é mencionada na Bíblia, foi recentemente descoberto em Jerusalém. Uma bulla medindo cerca de 1.5 cm foi encontrada durante a peneiração do solo removido de escavações arqueológicas que a Autoridade de Antiguidades de Israel está realizando na Cidade de Davi… Uma bulla é um pedaço de argila que era usado para selar um documento ou objeto. A bulla era impressa com o selo da pessoa que a enviou, e sua integridade era evidência de que o documento ou objeto não havia sido aberto por ninguém não autorizado para fazer isso. Três linhas de escrita Hebreia antiga aparecem na bulla:

        Bishv’at

        BatLechem

        [Lemel]ekh

De acirdi cin Eku Shukron, director da escavação em noma da Autoridade de Antiguidades de Israel: ‘parece que no sétimo ano do reino de um rei (não é claro se o rei refere-se aqui à Ezequias, Manassés ou Josias), uma remessa foi despachada de Belém para o rei em Jerusalém. A bulla que encontramos pertence ao grupo de bullae ‘fiscal’ – bullae administrativas usadas para selar remessas de impostos transferidos para o sistema de tributação do Reino de Judá no final do oitavo e sétimo séculos a.C.. O imposto poderia ter sido pago na forma de prata ou produção arqueológica, tal como vinho ou trigo.’ Shukron enfatiza: ‘essa é a primeira vez que o nome Belém aparece fora da Bíblia, em uma inscrição do período do Primeiro Templo, o que prova que Belém realmente era uma cidade no Reino de Judá, e talvez possivelmente em períodos anteriores.’[20]

Shukron disse à Ecumenical News International [Notícias Ecumênicas Internacional]: “Aqui podemos ler [a palavra Belém] em uma inscrição Hebraica clara do período do primeiro templo, em uma bulla encontrada em Israel que chegou de Belém à Jerusalém, talvez, para pagar algum imposto. Essa é a Belém próxima à Jerusalém referida na Bíblia.”[21]

Nazaré

O teólogo R.T. France descreve Nazaré como:

tão insignificante que seu nome não ocorre em nenhum lugar na literatura Judaica até bem depois do tempo de Jesus. Era uma vila pequena, largamente dedicada à agricultura, contornada pelas estradas principais que passavam pela cidade Helenística vizinha de Séforis, a capital da Galileia… Sua população foi estimada entre 500 e 2,000, e os destroços de suas construções não mostram nenhum sinal de riqueza no período relevante.[22]

Lee Strobel nota que “Céticos vêm afirmando há muito tempo que Nazaré nunca existiu durante o período em que o Novo Testamento diz que Jesus passou sua infância lá.”[23] Por exemplo: “o ateu Frank Zindler notou que Nazaré não é mencionada no Antigo Testamento, pelo apóstolo Paulo, pelo Talmude (embora sessenta e três outras cidades da Galileia sejam citadas), ou por Josefo (que listou outras quarenta e cinco vilas e cidades da Galileia, incluindo Japha, que ficava a pouco mais de uma milha da Nazaré atual). Nenhum historiador ou geógrafo antigo menciona Nazaré antes do inicio do quarto século.”[24] Porém, Paul Barnett relata que “em 1961, um mosaico datado do terceiro século no qual Nazaré aparece foi desenterrado na Cesareia Marítima. Nazaré … não é mencionada no Antigo Testamento, nem na obra de Josefo. Perguntas quanto à sua genuinidade foram resolvidas por essa descoberta.”[25] O dr. James Strange nota que “quando Jerusalém caiu, em 70 d.C., sacerdotes não eram mais necessários no templo, pois ele havia sido destruído, então eles foram enviados à vários outros lugares, até à Galileia. Arqueólogos encontraram uma lista em Aramaico descrevendo os vinte e quatro ‘cursos’, ou famílias, de sacerdotes que foram realocados, e um deles foi registrado como tendo sido transferido para Nazaré.”[26]

Além disso: “escavações arqueológicas … descobriram tumbas do primeiro século na vizinhança de Nazaré, as quais estabeleceriam os limites da vila, pois, pela Lei Judaica, sepultamentos tinham que ocorrer do lado de fora da cidade propriamente dita. Duas tumbas continham objetos tais como lâmpadas de cerâmica, recipientes de vidro e vasos do primeiro, terceiro e quarto séculos.”[27] O arqueólogo Jack Finegam afirma que “Das tumbas … pode ser concluído que Nazaré era um assentamento fortemente Judaico no período Romano.”[28] Como John McRay relata:

Escavações arqueológicas em Nazaré … por Bellarmino Bagatti, em 1955 … revelaram que a Nazaré dos dias de Jesus era um assentamento agrícola com numerosos lagares de vinho e azeite, cavernas para armazenar grãos e cisternas para água e vinho. Situadas embaixo da Igreja da Anunciação e da Igreja de São José ao Norte, algumas dessas estruturas são conectadas, por tradições antigas, com as habitações de José e Maria. Objetos de cerâmica encontrados na vila datam da Idade do Ferro II (900-600 a.C.) ao período Bizantino (330-640 d.C.), incluindo peças Romanas do tempo de Cristo.[29]

Em Dezembro de 2009, arqueólogos da Autoridade de Antiguidades de Israel, escavando os fundamentos de um antigo convento, desenterraram uma casa da Nazaré do primeiro século. (cf. http://www.msnbc.msn.com/id/34511072/ns/technology_and_science-science/#34523421). De acordo com a diretor de escavação Yardenna Alexandre:

A descoberta é da maior importância, visto que ela revela pela primeiríssima vez uma casa da vila Judaica de Nazaré e, portanto, esclarece o modo de vida no tempo de Jesus. A construção que encontramos é pequena e modesta, e é muito provavelmente típica das moradias de Nazaré naquele período.”[30]

Cafarnaum

Há dezesseis referências à Cafarnaum (Cafar = ‘vila’ de Nahum), perto do Mar da Galileia, nos evangelhos: “Do período do Novo testamento tem sido descoberta a evidência da indústria pesqueira (ancoras, anzóis), que empregava [os] discípulos, assim como uma rua e cassas certamente utilizadas por eles de vez em quando.”[31] R.T. France nota que:

As casas escavadas em Cafarnaum eram construções de um andar, com uma escada exterior dando acesso ao telhado plano. O telhado não era de pedra, mas de vigas ou galhos de madeira cobertos de palha e emplastrados [não sei se traduzi certo aqui; “daubed”] com lama. Isso explica a descrição de Marcos de como quatro homens carregaram um paciente em potencial até o telhado e, literalmente, ‘descobriram o telhado e fizeram um buraco nele’ para que o homem pudesse sentar-se na frente de Jesus (Marcos 2:1-4), e o tamanho das salas em tais casas (nunca mais que 5 metros de um lado a outro, e muitas vezes bem menores) mostra como uma multidão modesta poderia fazer deste o único meio de acesso.[32]

A Sinagoga em Cafarnaum

Jesus ensinou na sinagoga em Cafarnaum, de acordo com Marcos 1:21022 e Lucas 4:31-36. Lucas 7:1-10 recorda como Jesus curou o escravo de um centurião Romano postado localmente. O povo encorajou Jesus a curar o escravo porque o oficial Romano havia construído sua sinagoga. As fundações de basalto negro dessa sinagoga do século 1 (uma datação confirmada por objetos de cerâmica encontrados debaixo do chão) podem ser vistas hoje sob as ruínas da sinagoga de calcário do século 4 em Cafarnaum.

A Presença Romana em Cafarnaum

Randall Price nota que “Recentemente, a presença romana foi confirmada através da escavação, em Cafarnaum, de várias construções de estilo Romano, incluindo uma casa-de-banhos Romana.”[33] Como Ian Wilson reporta: “Nesse aspecto, arqueólogos acharam evidência de presença militar Romana em Cafarnaum na forma de uma longa casa-de-banhos, de design positivamente não-judeu, que quase certamente pertencia à guarnição comandada pelo centurião de Jesus”[34]

A Casa de Pedro em Cafarnaum

Cafarnaum contém os restos de uma igreja octogonal do século 5. Em 1968, arqueólogos descobriram os restos de uma igreja anterior embaixo dela. Ela havia sido construída ao redor do que originalmente era uma casa privada, a qual era aparentemente usada por Cristãos como um local de reuniões durante a segunda metade do primeiro século.  As paredes haviam sido rebocadas, e continham escritos riscados interpretados por alguns estudiosos como orações em Aramaico antigo (assim como Siríaco e Hebraico) dizendo tais coisas como “Senhor Jesus Cristo ajuda” e “Cristo tenha misericórdia”.[35] Como muitas vezes parece ser o caso com escritas riscadas antigas, essas leituras são disputadas. Alguns estudiosos acham que elas “são melhor lidas como Grego do que Aramaico … e não tem, necessariamente, significância religiosa.”[36] No quarto século essa ‘igreja-domiciliar’ foi ampliada e fechada dentro das paredes de seu próprio complexo.  Isso foi dito aos primeiros peregrinos, como Egéria, a mãe do imperador Constantino, que registrou c. 380 d.C. que: “Em Cafarnaum, a casa do príncipe dos apóstolos foi transformada em uma igreja, com suas paredes originais ainda de pé. É onde o Senhor curou o paralítico.” Peter Walker afirma: “Grafite que se referia à Jesus como Senhor e Messias … providencia uma forte evidência de que a sala era usada como um local de adoração Cristão – e quase certamente porque se acreditava ser a sala utilizada por Jesus, talvez a casa de Simão Pedro (Lucas 4:38)… Dado que a tradição inicial vai de volta até o primeiro século, esse é quase certamente o local exato onde Jesus permaneceu – a casa de seu principal apóstolo, Pedro”.[37]

Jerusalém e O Tanque de Betesda

João 5:1-15 descreve um tanque em Jerusalém, próximo da Porta das Ovelhas, chamado Betesda, rodeado por cinco colunatas cobertas. Até o século 19, não havia nenhuma evidência fora de João para a existência desse tanque, e a descrição incomum de João “fez estudiosos bíblicos duvidarem da confiabilidade do relato de João, mas o tanque foi devidamente descoberto nos anos 1930 – com quatro colunatas ao redor de suas bordas e uma em seu meio.”[38] Ian Wilson reporta: “Escavações exaustivas pelo arqueólogo Israelense Professor Joachim Jeremias trouxeram à luz precisamente tal construção, incluindo ainda duas cisternas grandes e profundas, nas cercanias da Igreja Cruzada de Sant’Ana de Jerusalém.”[39]

Jerusalém e O Tanque de Siloé

Nos anos 400 d.C., uma igreja foi construída acima de um tanque conectado ao túnel de água de Ezequias para comemorar a cura do homem cego relatada em João 9:1-7. Até recentemente, esse era considerado como sendo o Tanque de Siloé do tempo de Cristo. Porém, durante obras de saneamento em Junho de 2004, engenheiros depararam-se com um tanque ritual do século 1 quando eles descobriram alguns degraus antigos durante uma manutenção de tubulação perto da boca do túnel de Ezequias. Pelo verão de 2005, arqueólogos haviam revelado o que era “sem nenhuma dúvida o tanque perdido de Siloé.”[40] Mark D. Roberts relata que: “No gesso desse tanque foram encontradas moedas que estabelecem a data do tanque aos anos antes e depois de Jesus. Há pouca dúvida de que esse é, de fato, o tanque de Siloé, ao qual Jesus enviou o homem cego em João 9”.[41]

A Tumba do Endemoninhado Gadareno

Angela Tilby relata que: “Umm Keiss contém os restos da antiga cidade de Gadara … notada por suas piscinas naturais quentes que acreditava-se ter qualidades curativas. A cidade está na região ao sul e leste do Jordão, no qual haviam dez cidades independentes fundadas originalmente por Alexandre o Grande. No tempo de Jesus, essas permaneceram comunidades cosmopolitas, nas quais templos e sinagogas seriam fundados lado-a-lado. Judeus e pagãos negociariam e se misturariam … sob a abrangência cultural ampla de qualquer poder colonial que estivesse em ascendência. Escavações recentes descobriram os restos de uma igreja do quarto século, a qual é tão larga que deve ter sido conectada à um sitio de  grande importância. A igreja tem não menos do que cinco corredores, o que sugere que ela era visitada por um grande número de peregrinos. Cavando abaixo de suas fundações, arqueólogos descobriram uma tumba Romana que foi datada para o ano 25 d.C…. A coisa estranha é que a igreja tem um buraco no chão que olha diretamente para a tumba. A tumba em si é um local facilmente identificável; ela está bem abaixo de uma arcada que marca o limite ocidental da cidade. Os Cristãos que construíram a igreja não haviam feito nada para ‘cristianizar’ a tumba. Eles também não a destruíram, substituíram ou tentaram marca-la com cruzes ou símbolos de ressurreição. Por alguma razão, eles queriam preservá-la como ela era. É uma séria possibilidade de que este foi um dos túmulos que forneceram uma casa ao endemoninhado Gadareno. Ele foi preservado sob a igreja para marcar o local de seu exorcismo.”[42]

Betânia e a Tumba de Lazáro

Peter Walker escreve: “Não há dúvidas quanto à localização geral da Betânia. A vila Árabe de El-Azarieh preserva em seu nome a maneira que os Bizantinos se referiam a ela – como ‘Lazarium’, isto é, ‘o lugar de Lázaro’. Até recentemente essa era uma vila pequena… Há uma forte possibilidade de que a tumba de Lázaro tenha sido corretamente identificada e preservada. Certamente a tumba tradicional que é agora conhecida como sua tumba estava em um cemitério no primeiro século (outras tumbas do primeiro século foram encontradas logo  ao norte). E há referências à tumba voltando até o terceiro século d.C. (no Onomastikon de Eusébio).”[43]

Pessoas

Aqui está uma seleção de achados relacionados à pessoas mencionadas no Novo Testamento.

Herodes o Grande

Temos uma moeda de bronze cunhada por Herodes o Grande. No lado anverso (ou seja, no fundo) há um tripé e bacia cerimonial com a inscrição ‘Herodes rei’ e o ano em que a moeda foi feita, ‘ano 3’ (do reino de Herodes), ou 37 a.C..

Em 1996, o professor israelense de arqueologia Ehud Netzer descobriu, em Massada, um fragmento de cerâmica quebrada com uma inscrição, chamada de óstraco. Esse fragmento possuía o nome de Herodes em si e era parte de uma ânfora utilizada para transporte (provavelmente de vinho), datada à c. 19 a.C.. A inscrição é em latim, e nela se lê: “Herodes o Grande Rei dos Judeus (ou Judeia)” – a primeira que menciona o título completo do Rei Herodes.

Herodium é uma montanha construída pelo homem no deserto da Judeia, erguendo-se 2,475 [754,38 metros] pés acima do nível do mar. Em 23 a.C., Herodes o Grande construiu um palácio-fortaleza no topo de um morro natural neste local. Sete andares de salas de estar, áreas de armazenamento, cisternas, uma casa de banho e um pátio cheio de arbustos e plantas floridas foram construídos. Todo o complexo era cercado e parcialmente enterrado por um enchimento inclinado de terra e cascalho. A tumba e sarcófago de Herodes foram descobertos na base do Herodium pelo arqueólogo Ehud Netzer, em 2007.

Erasto, Tesoureiro de Corinto

John McRay relata que:

Antes de 50 d.C., uma área de 62 pés quadrados [5.75998848 m2] foi pavimentada no limite nordeste do teatro em Corinto, Grécia. Escavações lá revelaram parte de uma inscrição em Latim esculpida no pavimento, onde se lê: ‘Erasmo, em retorno a seu estado de edil, estabelecido [o pavimento] às suas próprias custas.’ O Erasto dessa inscrição é identificado, na publicação da escavação, com o Erasmo mencionado por Paulo em Romanos, uma carta escrita de Corinto, na qual Erasmo é referido como ‘tesoureiro da cidade’ [Romanos 16:23]… a palavra grega específica utilizada por Paulo para ‘tesoureiro’ (oikonomos) é um termo apropriado para descrever o trabalho de um edil ou magistrado Corintiano supervisionando obras públicas.[44]

Ian Wilson comenta que “há reconhecimento geral de que este pode ter sido um estágio anterior na carreira do tesoureiro Erasto no governo local. No mínimo, há um caso razoável para o Erasto de Paulo e o Erasto da inscrição de Corinto serem uma única pessoa.”[45]

Gálio, Procônsul de Acaia

“Essa designação em Atos 18:12-17 era pensada como impossível. Porém, uma inscrição em Delfos registra esse mesmo título para o homem, e data ele à época em que Paulo estava em Corinto (51 d.C.).”[46] Na inscrição, o Imperador Cláudio refere-se à “Gálio, meu amigo e Procônsul”.[47]

Várias Personagens Históricas Nomeadas em Lucas 3:1-2

Em Lucas 3:1-2 vemos referências a oito figuras históricas:

No décimo quinto ano do reinado de [1] Tibério César, quando [2] Poncio Pilatos era governador da Judeia, e [3] Herodes tetrarca [um governador de um quarto de uma província] da Galileia, e seu irmão [4] Filipe tetrarca da Ituréia e de Traconites [cf. Josefo, Antiguidades Judaicas 18.106-108], e [5] Lisânias tetrarca de Abilene, sendo [6] Ainás e[7] Caifás sumos-sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a [8] João filho de Zacarias. (Lucas 3:1-2) [cf. Josefo, Antiguidades Judaicas 18:5.2]

A historicidade de todas as oito personagens é garantida, e evidência a arqueológica faz a sua parte aqui, como os seguintes exemplos demonstram:

[1] Tibério César

A moeda Denário, 14-37 d.C., é comumente referida como “Centavo Tributo”, da Bíblia. A moeda mostra um retrato de Tibério César. Craig L. Blomberg comenta: “O famoso dizer de Jesus sobre dar à César o que é dele e à Deus o que é dele (Marcos 12:17 e paralelos) faz ainda mais sentido quando se descobre que a maior parte das moedas Romanas em uso na época tinham imagens de César nelas.”[48]

[2] Poncio Pilatos

“Em 1961, na Cesareia Marítima, onde Poncio Pilatos vivia, uma inscrição foi encontrada a qual, entre outras coisas, confirma não apenas o governo de Pilatos na Judeia, mas também sua preferência pelo título ‘Prefeito’. A inscrição não está mais completa, mas há poucas duvidas sobre o que ela dizia no passado.”[47] Em latim, lê-se na inscrição:

        TIBERIEUM
IUS PILATUS
ECTUS IUDA

A escrita original era, portanto:

        TIBERIEUM
[PONT]IUS PILATUS
[PRAEF]ECTUS IDUA[EA]

Traduzindo, lê-se: “Para Tibério, Poncio Pilatos, prefeito da Judeia.”

[3] Herodes Antipas, tetrarca da Galileia

De acordo com um relato no Haaretz Daily Newspaper (8 de Abril de 2005):

Um piso de mármore datando do primeiro século d.C. foi desenterrado durante as escavações desta temporada na antiga Tiberíade. De acordo com o arqueólogo professor Yizhar Hirschfeld, diretor da escavação de três semanas que acabou ontem, o piso é, aparentemente, um resquício de um pavimento no palácio de Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande, que governou a Galileia de 4 a.C. à 38 d.C.. ‘Mármore do primeiro século d.C. era muito raro nessa área e é encontrado apenas em palácios reais. Quem sabe, talvez Salomé dançou para o rei neste exato piso, ‘Hirshfeld disse, referindo-se à história Neo-Testamentária  da filha de Herodias, esposa de Antipas, que exigiu a cabeça de João Batista em uma bandeja em troca da dança. A escavação foi co-patrocinada pela Universidade Hebreia de Jerusalém e a Autoridade de Antiguidades de Israel, e foi financiada pelo município de Tiberíade e pela Brown University, Rhode Island. Foi revelado que no quarto século uma basílica foi construída sobre o palácio.[50]

[5] Lisânias, tetrarca de Abilene

Estudiosos costumavam dizer que Lucas não sabia do que estava falando, pois todo mundo sabia que Lisânias era o governador de Cálcis, o qual morreu em 38 a.C.. Mas então uma inscrição do tempo de Tibério (14-37 d.C.) foi encontrada em Albia, perto de Damasco, a qual nomeia Lisânias como Tetrarca – exatamente como Lucas havia escrito. Acontece que havia dois oficiais do governo chamados Lisânias!

[7] Caifás o Sumo-Sacerdote

Em uma tumba localizada ao sul de Jerusalém, foram descobertos vários ossuários, um dos quais contém o que muitos estudiosos acreditam serem os ossos do antigo sumo-sacerdote Caifás e sua família. Do lado e no fundo do ossuário há a inscrição “Yosef bar [filho de] Caifa”. Outros estudiosos disputam a interpretação desse achado. Seja como for, o cunhado de Caifás, Teófilo filho de Anás (ou Ananus) é mencionado no ossuário de Yehohanah, neta do sumo sacerdote. Além disso, em Junho de 2011, a Autoridade de Antiguidades de Israel anunciou a recuperação de um ossuário roubado que portava a inscrição “Miriam, irmã de Yeshua, filho de Qayapha, sacerdote de Ma’aziah, de Beth ‘Imri.”[51] Como Craig A. Evans observa, se o nome desse sacerdote é vocalizado “Qayapha (em vez de Qipha ou Qupha), então poderíamos ter uma chance com Caifás. De fato, nós podemos possuir o ossuário da neta do sumo-sacerdote que condenou Jesus.”

Ossuários são exemplos particularmente fascinantes de evidência arqueológica, pois eles são testemunhas não apenas de uma prática cultural, mas podem documentar a existência de indivíduos nomeados, suas relações familiares e até suas crenças religiosas.

[8] João Batista

Em 28 de Julho de 2010 um time de arqueólogos búlgaros escavou um pequeno vaso de alabastro contendo vários pedaços de osso debaixo do altar da igreja de Santo Ivan o Precursor do quarto século d.C. em Sveti Ivan, uma ilha do Mar Negro fora de Sozopol, na costa búlgara: “Sabíamos que iriamos encontrar um relicário lá e nossas expectativas se tornaram verdade”, o principal arqueólogo, Professor Kazimir Popkonstantinov, escreveu em um email para a CNN: “Parece bem lógico sugerir que os fundadores do monastério fizeram o melhor que podiam para trazer relíquias de seu santo patrono.”[53] Esse santo era João Batista, em homenagem a quem a Ilha de Svetti Ivan (S. João) e a Igreja de S. Ivan (João) o Precursor foram nomeadas. Outra evidência corroborante da hipótese de que as relíquias pertenciam a João Batista foram encontradas a 1.2 metros do relicário: uma pequena caixa de tufo (feita de cinzas vulcânicas endurecidas) portando inscrições em grego antigo: “A inscrição deixa claro que um homem chamado Tomás, ‘Servo de Deus, trouxe uma partícula de S. João aqui no dia 24.’ Embora algumas das letras finais estejam faltando, a inscrição em grego deixa claro que a data se refere ao aniversário [tradicional] de S. João Batista, 24 de Junho.”[54] Como um comunicado da Oxford University Press explicou:

A caixa de tufo possui inscrições em grego antigo que diretamente mencionam João Batista e seu dia festivo, e texto pedindo a Deus para ‘ajudar seu servo Tomás’. Uma teoria é que a pessoa a quem se refere como Tomás havia sido incumbida de trazer as relíquias até a ilha. Uma análise da caixa demonstrou que a caixa de tufo tem uma alta qualidade impermeável e é provável que tenha se originado na Capadócia, uma região da atual Turquia. Os pesquisadores búlgaros acreditam que os ossos provavelmente vieram à Bulgária através da Antioquia, uma antiga cidade turca, na qual a mão direita de S. João foi mantida até o décimo século. Em um estudo separado, outro pesquisador de Oxford, Dr. Georges Kazan [do Oxford Institute of Archeology [Instituto Oxford de Arqueologia]], utilizou documentos históricos para demonstrar que, na última parte do quarto século [c. 370 d.C.], monges haviam levado relíquias de João Batista para fora de Jerusalém, e entre essas se incluía porções de crânio. Essas relíquias logo foram convocadas à Constantinopla pelo Imperador Romano, que construiu uma igreja para abriga-las lá. Maior investigação pelo Dr. Kazan sugere que o relicário utilizado para contê-las pode ter se parecido com a urna em forma de sarcófago descoberta em Sveti Ivan. Registros arqueológicos e escritos sugerem que esses relicários foram primeiro desenvolvidos e utilizados em Constantinopla, pela elite reinante, por volta da época em que se diz que as relíquias de João Batista chegaram lá. O Dr. Kazan disse: “Minha pesquisa sugere que, durante o quinto ou inicio do sexto século, o monastério de Sveti Ivan pode ter recebido uma porção significativa das relíquias de João Batista, assim como um relicário de prestigio na forma de um sarcófago, de um membro da elite de Constantinopla. Esse presente poderia ter sido para dedicar ou rededicar a igreja e o monastério à S. João, os quais o patrono ou patronos podem ter apoiado financeiramente.”[55]

De acordo com o Telegraph, o pesquisador de Oxford Christopher Ramsey, de maneira similar, argumenta “usando documentos históricso … que o monastério de Sveti Ivan pode ter recebido uma porção das relíquias de João Batista no quinto ou inicio do sexto séculos.”[56] Como o professor Popkonstantinov diz: “é importante entender uma coisa: essa é a primeira vez no mundo [da] prática arqueológica que relíquias de S. Joao são encontradas junto com uma inscrição que simplesmente literalmente firma uma conclusão e não deixa nenhuma dúvida. Não há especulações aqui”[57]

O relicário continha três ossos animais (de uma ovelha, uma vaca e um cavalo) em conjunto com um dente humano, a extremidade direita de uma maxila (o que concorda com a pesquisa do Dr. Kazan), uma clavícula direita, uma costela, uma ulna (um osso do braço) e uma falange. Os resultados de três testes científicos diferentes conduzidos nos ossos humanos foram consistentes com a identificação do relicário como sendo aquele do João Batista histórico. Primeiro cientistas de Oxford foram capazes de datar por carbono a falange:

Os professores de Oxford, Thomas Higam e Christopher Ramsey, tentaram datar por radiocarbono quarto ossos humanos, porém apenas um deles continha uma quantidade suficiente de colágeno para ser datado com sucesso. O professor Higham disse: “Nós fomos surpreendidos quando a datação por radiocarbono produziu essa idade bem antiga. Nós havíamos suspeitado que os ossos pudessem ser mais recentes que isso, talvez do terceiro ou quarto séculos. Todavia, o resultado do osso metacarpal da mão é claramente consistente com alguém que viveu no inicio do primeiro século d.C..”[58]

Depois, o Dr. Hannes Schroeder e o Professor Eske Willersley, da Universidade de Copenhagen:

reconstruíram a sequência completa do genoma do DNA mitocondrial de três dos ossos humanos para estabelecer que os ossos eram todos de um mesmo indivíduo. Significantemente, eles identificaram um grupo familiar de genes (mtDNA haplótipo) como sendo o grupo mais comumente encontrado no Oriente Próximo, que é mais conhecido, hoje, como Oriente Médio – a região de onde João Batista teria se originado. Eles também estabeleceram que os ossos eram provavelmente de um individuo do sexo masculino após uma análise do DNA nuclear das amostras. O dr. Schroeder disse: “Nossa preocupação era que os restos pudessem ter sido contaminados com DNA moderno. Porém, o DNA que encontramos nas amostras demonstrou padrões de dano que são característicos de DNA antigo, o que nos deu confiança nos resultados. Além disso, parece algo meio improvável que todas as três amostras fossem produzir a mesma sequência, considerando que elas tinham, provavelmente, sido manuseadas por pessoas diferentes. Ambos esses fatos sugerem que o DNA que nós sequenciamos era realmente autêntico. É claro, isso não prova que esses eram os restos de João Batista, mas também não refuta essa teoria, visto que as sequências que conseguimos se encaixam com uma origem no Oriente Próximo.”[59]

Terceiro, o Dr. Lachezar Savov usou scanners médicos modernos para fazer imagens 3D das relíquias.[60] Isso “confirmou conclusões feitas anteriormente por outros métodos – que os ossos pertenciam à um homem de tipo Mediterrâneo, entre 30 e 40 anos de idade, que usava comida vegetariana [cf. Marcos 1:6 & Mateus 3:4].”[61] Dependendo da interpretação das referências bíblicas a João comendo ‘gafanhotos’ é interpretado literalmente ou como o ‘gafanhoto’ fruto de alfarrobeira [em inglês faz mais sentido, “‘locusts’ or ‘locust’ carob tree pod”; a palavra original em grego traduzida como ‘gafanhoto’ serve tanto para gafanhotos como para o alfarroba], é plausível pensar que a dieta de João era predominantemente vegetariana.[62] De acordo com Tsonya Drazheva, que dirige o Museu de História de Burgas e é Chefe Adjunto das escavações em na ilha de S. Ivan, é possível ver, à primeira vista, que os ossos não tem boa densidade, o que sugere que a pessoa em questão levou uma vida difícil [cf. Marcos 1:4-6 & 6:17-28].[63] Que os restos humanos no relicário de Sveti Ivan são aqueles de João Batista não está além de dúvidas razoáveis. Mesmo assim, a acumulação de evidência circunstancial realmente parece tornar a hipótese plausível.

Alexandre de Cirene

Quando Jesus estava a caminho para ser crucificado, os soldados romanos forçaram um homem chamado Simão de Cirene a carregar sua cruz (cf. Mateus 27:32; Lucas 23:26). Simão tinha filhos chamados Alexandre e Rufo (Marcos 15:21; Romanos 16:13). Em 1941, o arqueólogo israelense Eleazar Sukenik descobriu uma tumba, no vale de Cédron, na parte oriental de Jerusalém. Cerâmica datava-a ao primeiro século d.C.. A tumba continha onze ossuários portando doze nomes em quinze inscrições. Algumas eram particularmente comuns em Cirenaica. As inscrições em um desses ossuários dizem: “Alexandros (filho de) Simon”. Na tampa do ossuário, há uma inscrição portando o nome Alexandros em grego, e então o hebraico QRNYT. O significado disso não é claro, mas uma possibilidade é que a pessoa fazendo a inscrição pretendeu escrever QRNYH – o hebraico para ‘Cireneu’. Tom Powers comenta:

Quando consideramos quão incomum o nome Alexandre era, e notamos que a inscrição do ossuário lista ele no mesmo relacionamento com Simão que o Novo Testamento, e lembramos que a caverna sepulcral contém os restos de pessoas da Cirenaica, a chance de que o Simão no ossuário se refira ao Simão de Cirene mencionado nos Evangelhos parece bem provável.[64]

A Família Barsabás

No inicio do livro de Atos, Lucas descreve como os onze discípulos restantes de Jesus prosseguiram em substituir Judas, após seu suicídio: “É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição.” (Atos 1:21-22) Dois homens foram propostos para essa posição – José, chamado Barsabás (também conhecido como Justo), e Matias. Os discípulos oraram: “Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos, mostra qual destes dois tens escolhido, para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar.” (Atos 1:24-25) Então eles lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Matias. Em uma outra ocasião, mais tarde: “pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a igreja, eleger homens dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia, a saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens distintos entre os irmãos.” (Atos 15:22) Achados arqueológicos modernos esclarecem essas referências à José e Judas Barsabás. Como relatado pelo Jerusalem Chrsitian Review (edição online de Dezembro de 2000), arqueólogos israelenses descobriram uma tumba do século 1, na encosta da montanha fora do Vale Cédron, contendo ossuários que portam sinais da cruz. As inscrições identificam a tumba da família Barsabás. O historiador Ory N. Mazar declara que “pelo menos alguns membros dessa família estavam entre os primeiríssimos discípulos de Cristo.” Os ossuários incluíam:

Simon Bar-Saba – a versão hebraica de ‘Simão Barsabás’
Maria, filha de Simão: talvez uma das várias Marias no N.T. (exemplo: Mateus 28:1)
José Barsabás
• O outro candidato de Atos, Matias, pode ter pertencido a mesma família, visto que um dos outros caixões na mesma caverna carregam o nome M’T’I’, hebraico para ‘Matias’
• Outro Filho de Saba era Judá (a forma hebraica do grego Judas) Barsabás

O Professor Mazar comenta:

o impacto dessas descobertas fascinantes é multiplicado quando consideramos a evidências adicionais encontrada na tumba, tal como moedas e artefatos, as quais demonstram claramente que a tumba foi hermeticamente selada menos de uma década após a crucificação de Cristo. Isso é, anos antes de qualquer parte do Novo Testamento ser escrita, provando que as Escrituras são consistentes com a evidência arqueológica.

A Tumba de S. Felipe, o Apóstolo

Em 29 de Julho de 2011, um Comunicado de Imprensa da Biblical Archaeological Society [Sociedade Arqueológica Bíblica] anunciou que: “Durante o curso da escavação de uma igreja da época bizantina na antiga cidade grega de Hierápolis (no sudoeste da moderna Turquia), o professor Francesco D’Andria e sua equipe arqueológica descobriram a tumba de S. Filipe, um dos doze apóstolos.”[65] “Nós estivemos procurando pela tumba de São Filipe por anos”, d’Andria disse à Fox News, “Nós finalmente a encontramos, nas ruinas de uma igreja que nós escavamos um mês atrás.”[66] Um artigo do examiner.com explicou que:

Escavações em Hierápolis revelaram um Martirium que se acredita ter pertencido à São Filipe. Acreditava-se que, quando o Martirium fosse completamente escavado, os arqueólogos encontrariam a tumba de Filipe. Infelizmente, não havia nenhuma tumba. Francisco D’Andria, diretor das escavações, foi surpreendido e desapontado, mas continuou o trabalho em áreas adjacentes. Aproximadamente 40 jardas [36,576 metros] distante do Martirium, D’Andria descobriu uma pequena igreja. Dentro da igreja eles encontraram uma tumba romana do primeiro século. A evidência indica que a tumba foi construída no primeiro século, e que a igreja foi construída ao redor da tumba em algum momento ao redor do começo do quinto século. D’Andria acredita que a evidência que os restos de São Filipe foram originalmente colocados nessa tumba no primeiro século e permaneceram lá por mais de 400 anos antes de serem movidos para Constantinopla.[67]

O Ossuário ‘Tiago, filho de José, irmão de Jesus’

Tiago, o irmão de Jesus, foi martirizado em 62 d.C.. Um ossuário de calcário da metade do século 1 descoberto em 2022 porta a inscrição “Tiago, filho de José, irmão de Jesus” (‘Ya’akov bar Yosef akhui di Yeshua’). O historiador Paul L. Maier afirma que “há evidência forte (porém não absolutamente conclusiva) de que, sim, o ossuário e a inscrição são não apenas autênticos, mas também os nomes nele inscritos referem-se às personalidades do Novo Testamento.”[68] O acadêmico do Novo Testamento Ben Witherington afirma que: “Se, como parece provável, o ossuário encontrado na vizinhança de Jerusalém e datado de cerca de 63 d.C. é realmente a caixa de enterro de Tiago, o irmão de Jesus, essa inscrição é a evidência extrabiblíca mais importante de seu tipo.”[69] De acordo com Hershel Shanks, editor-chefe da Biblical Archaeological Review: “essa caixa é [mais] provavelmente o ossuário de Tiago, o irmão de Jesus de Nazaré, do que não. Em minha opinião … é provável que essa inscrição realmente mencione os Tiago e José e Jesus do Novo Testamento.”

A Tumba Vazia de Jesus

De acordo com John McRay: “Embora provas absolutas da localização da tumba de Jesus permaneçam além do nosso alcance, as evidências arqueológica e literária antiga argumentam fortemente para aqueles que a associam com a Igreja do Santo Sepulcro.”[70] Dan Bahat, antigo Arqueólogo da Cidade de Jerusalém, similarmente, afirma que: “Podemos não estar absolutamente certos de que o sítio da Igreja do Santo Sepulcro é o sítio do sepultamento de Jesus, mas nós certamente não possuímos nenhum outro sítio que possa afirmar ter uma reinvindicação tão forte, e nós realmente não temos nenhuma razão para rejeitar a autenticidade do sítio.”[71] Martin Biddle adiciona que: “O que é claro é que o tipo de tumba sugerido pelos relatos dos Evangelhos é consistente com o que é sabido da prática contemporânea na área de Jerusalém: ou seja, uma tumba escavada na rocha, uma entrada baixa fechada por uma pedra móvel, e um esquife elevado no interior.”[72]

O Sudário Vazio

O intensamente estudado ‘Sudário de Turim’ – o qual tem uma imagem superficial, fotograficamente negativa, de um homem açoitado e crucificado (uma imagem que também contém informação tridimensional) – foi anteriormente rejeitado por muitos com base nos testes de datação por carbono realizados em 1988, os quais davam ao Sudário uma data medieval. Todavia, achados científicos recentes revistos por pares demonstram que essa datação de carbono não é confiável, pois as amostras datadas foram retiradas de um remendo medieval.[73] Por outro lado, uma quantidade de evidências científicas e forenses apontam em direção à uma data anterior e até mesmo do primeiro século para o Sudário. Por exemplo, evidência forense vincula o sudário à um pano de cabeça ensanguentado conhecido como o ‘Sudário de Oviedo’, um artefato com uma proveniência que pode ser traçada de volta até tão longe quanto o sétimo século.[74] Além disso, a evidência é contra a hipótese de que a imagem no Sudário é uma falsificação artística.[75]

Uma comparação estatística entre dados do Sudário e a descrição do Novo Testamento de vários detalhes irregulares da punição de Jesus estabelece que, se o Sudário é um artefato genuíno do século 1, então ele provavelmente foi a mortalha real de Jesus. Por isso, o Sudário providencia evidência arqueológica para os relatos dos Evangelhos sobre o açoitamento e crucificação de Jesus e para a afirmação de que, após Jesus ter morrido como resultado de sua crucificação, ele recebeu um sepultamento honroso. O sudário, portanto, providencia evidência contra a popular teoria do ‘desmaio’ (segundo a qual Jesus não morreu de verdade na cruz). Além disso, que o Sudário a) não contém mais um corpo e b) tem coágulos de sangue imperturbados, constitui evidência adicional no caso cumulativo para a realidade da ressurreição de Jesus de entre os mortos.

Conclusão

A arqueologia adiciona ao caso cumulative para  a confiabilidade histórica do Novo Testamento ao verificar empiricamente referências à práticas culturais, crenças, locais e pessoas específicas. Como Paul Barnett conclui:

a arqueologia nem prova nem refuta o Novo Testamento. Ela, porém, endossa as narrativas em vários pontos, especialmente no caso de inscrições, as quais por sua natureza são específicas. Aqui encontramos personagens secundários à história principal – os Herodes, o sumo-sacerdote e vários governadores romanos. Além disso, através da arqueologia nós somos capazes de preencher os detalhes do plano de fundo que reforçam as narrativas tanto nos Evangelhos como no livro de Atos. Achados arqueológicos confirmaram que os textos do Novo Testamento são, do primeiro ao último, históricos e geográficos em caráter.[76]


Recursos Recomendados

Vídeo

Bulla de Belém, http://youtu.be/n7cllKnMdsU

Gary Byers, ‘Biblical Archaeology at Capernaum: A Closer Look at Mark 1-2’, ‘Part I’, http://youtu.be/FTzDWP6Q6Yw; ‘Part II’, http://youtu.be/TjWYFzTdM48; ‘Part III’, http://youtu.be/nlse7ssImGw.

Capernaum: City of Skeptics, www.dod.org/Products/Capernaum–City-of-Skeptics__DOD2135.aspx

Jesus & The Gospels: Answers to Tough Questions – Part 2, www.dod.org/Products/DOD2117.aspx

Reformed Seminary Videos of Israel Trip 2000, www.youtube.com/playlist?list=PLCE0524EA617135D2&feature=plcp

1st Century Nazareth House, www.msnbc.msn.com/id/34511072/ns/technology_and_science-science/#34523421

Megiddo Church, http://youtu.be/a2lcDvAMzQ8

Áudio

Gary R. Habermas et al, ‘The Talpiot Tomb’, www.reclaimingthemind.org/content/files/CWS/cwstalpiot.mp3

Peter S. Williams, ‘New Testament Archaeology’, www.damaris.org/cm/podcasts/215

Websites

Associates For Biblical Research, www.biblearchaeology.org/

Biblical Archaeological Review, www.bib-arch.org/

The Shroud of Turin Education Project, www.shroud2000.com/

Shroud Story, www.shroudstory.com/

Shroud of Turin Website, www.shroud.com/menu.htm

Artigos Online

Biblical Archaeology Review Staff, ‘Tomb of Apostle Phillip Found’ www.biblicalarchaeology.org/daily/biblical-sites-places/biblical-archaeology-sites/tomb-of-apostle-philip-found/

Oxford University, ‘Dating evidence: Relics could be of John the Baptist’ www.ox.ac.uk/media/news_stories/2012/120615.html

ScienceDaily, ‘Ancient Tiberias Reveals More of Its Beauty’ www.sciencedaily.com/releases/2005/07/050728173930.htm

Clyde E. Billington, ‘The Nazareth Inscription’ www.biblearchaeology.org/post/2009/07/22/The-Nazareth-Inscription-Proof-of-the-Resurrection-of-Christ.aspx

Kyle Butt, ‘Archaeology and the New Testament’, www.apologeticspress.org/articles/2591

Chris Brooke, ‘Bring me the knuckle of John the Baptist’ www.dailymail.co.uk/news/article-2159578/John-Baptist-bones-theory-Scientists-claim-positive-tests-1st-century-relics.html

John L. Brown, ‘Microscopial Investigation of Selected Raes Threads from the Shroud of Turin’, www.shroud.com/pdfs/brown1.pdf

Tom Chivers, ‘The Shroud of Turin: Forgery or Divine? A Scientist Writes’ http://blogs.telegraph.co.uk/news/tomchiversscience/100126480/the-shroud-of-turin-forgery-or-divine-a-scientist-writes/

Francesco D’Andria, ‘How I Discovered the Tomb of the Apostle Phillip’ www.zenit.org/article-34705?l=english

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Raymond N. Rogers & Anna Arnoldi, ‘The Shroud of Turin: An Amino-Carbonyl Reaction (Maillard Reaction) May Explain The Image Formation’, Melanoidins Vol.4, Ames J.M. (ed.), Office for Official Publications of the European Communities, Luxembourg, 2003, pp.106-113.

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Peter S. Williams, ‘The Shroud of Turin: A Cumulative Case for Authenticity’, www.case.edu.au/images/uploads/03_pdfs/williams-shroud-turin.pdf

Ben Witherington III, ‘Top Ten New Testament Archaeological Finds of the Past 150 Years’, www.christianitytoday.com/ct/2003/septemberweb-only/9-22-21.0.html

Livros

New International Version Archaeological Study Bible: An Illustrated Walk Through Biblical History and Culture (Zondervan, 2005)

Paul Barnett, Is The New Testament Reliable?, second edition (IVP, 2003)

Craig A. Evans, Jesus and His World: The Archaeological Evidence (London: SPCK, 2012)

Jack Finegan, The Archaeology of the New Testament: The Life of Jesus and the Beginning of the Early Church, revised edition (Princeton University Press, 1992)

Gary R. Habermas, The Secret of the Talpiot Tomb: Unravelling the Mystery of the Jesus Family Tomb (Holman Reference, 2007)

John C. Iannone, The Mystery of the Shroud of Turin: New Scientific Evidence (St Pauls, 1998)

John McRay, Archaeology & the New Testament (Baker Academic, 1991)

John McRay, ‘Archaeological Evidence for the New Testament’ in John Ashton & Michael Westacott (eds.), The Big Argument: Does God Exist? (Master Books, 2006)

Alan Millard, Discoveries From The Time Of Jesus (Lion, 1990)

Randall Price, The Stones Cry Out: What Archaeology Reveals About the Truth of the Bible (Harvest House, 1997)

Charles L. Quarles, Buried Hope or Risen Savior? The Search for the Jesus Tomb (B&H Academic, 2008)

Hershel Shanks & Ben Witherington, The Brother of Jesus: The Dramatic Story & Meaning of the First Archaeological Link to Jesus & His Family (Continuum, 2003)

Jeffery L. Sheler, Is The Bible True? How Modern Debates & Discoveries Affirm The Essence Of The Scriptures (HarperCollins, 2000)

Kenneth E. Stevenson, Image of the Risen Christ: Remarkable New Evidence About The Shroud (Frontier Research, 1999)

Carsten Peter Thiede, The Emmaus Mystery (Continuum, 2005)

Peter Walker, The Weekend that Changed the World: The Mystery of Jerusalem’s Empty Tomb (Marshall Pickering, 1999)

Peter Walker, In The Footsteps of Jesus: An Illustrated Guide to the Places of the Holy Land (Lion, 2009)


Referências:

[1] Millar Burrows, What Mean These Stones? (New York: Meridian Books, 1956), p.1.
[2] Charlotte Allen, The Human Christ: The Search for the Historical Jesus (Oxford: Lion, 1998), p.187.
[3] Ibid, p.286.
[4] Nelson Glueck, Rivers in the Desert: A History of the Negev (New York: Farrar, Strauss & Cudahy, 1959), p.31.
[5] William F. Albright, The Archaeology of Palestine, pp.127-128, quoted by Josh McDowell, The New Evidence That Demands A Verdict (Nashvile: Thomas Nelson, 1999), p.61.
[6] Joseph Free, Archaeology and Bible History (Scripture Press, 1969), p.1.
[7] Craig L. Blomberg, The Historical Reliability of the Gospels, second edition (Nottingham: Apollos, 2007 ), p.327.
[8] Jonathan L. Reed, The Harper Collins Visual Guide to the New Testament: What Archaeology Reveals about the First Christians (New York: HarperOne, 2007), p.100.
[9] Lee Strobel, The Case for Christ (Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 1998), pp.127-128.
[10] Peter Walker, In the Steps of Jesus: An Illustrated Guide to the Places of the Holy Land (Oxford: Lion, 2006), p.40.
[11] Craig A. Evans, Jesus and His World: The archaeological evidence (London: SPCK, 2012), p.110. Cf. Steve Jones, ‘Burial Shroud Proves Turin Shroud Shroud not from 1st century C.E. Jerusalem?’, http://theshroudofturin.blogspot.co.uk/search?q=leprosy.
[12] Ralph O. Muncaster, 101 Reasons You Can Believe: Why the Christian Faith Makes Sense (Eugene, Origon: Harvest House, 2004), pp.72-3.
[13] John McRay, Archaeology and the New Testament (Grand Rapids, Michigan: Baker Academic, 1991), p.295.
[14] T.C. Mitchell, The Bible in the British Museum: Interpreting the Evidence (The British Museum Press, 1988), p.114.
[15] Ibid, p.10.
[16] Alan Millard, ‘The First Christians – Archaeologically Invisible?’, Faith & Thought, October 2008, No.45, p.9.
[17] John Dickson & Greg Clarke, Life of Jesus Guidebook (Sydney: CPX, 2008), pp.119-120.
[18] Discovery News, ‘Seal Proves Bethlehem Existed Long Before Jesus’, http://news.discovery.com/history/seal-bethlehem-jesus-120523.html.
[19] http://youtu.be/n7cllKnMdsU.
[20] Israel Antiquities Authority Articles www.antiquities.org.il/article_Item_eng.asp?sec_id=25&subj_id=240&id=1938&module_id=#as.
[21] Judith Sudilovsky, ‘Israeli archaeologists find seal that mentions Bethlehem’, www.pcusa.org/news/2012/6/19/israeli-archaeologists-find-ancient-seal-mentions-/.
[22] R.T. France, The Evidence for Jesus (London: Hodder & Stoughton, 1986), p.143.
[23] Strobel, op. cit., p.102.
[24] Ibid.
[25] Paul Barnett, Is The New Testament Reliable?, second edition (Downers Grove: IVP, 2003), p.159.
[26] Strobel, op. cit., p.103.
[27] Ibid.
[28] Jack Finegan, quoted by Strobel, The Case for Christ (Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 1998), p.103.
[29] John McRay, Archaeology & the New Testament (Grand Rapids, Michigan: Baker Academic, 1991), pp.157-158.
[30] ‘For the Very First Time: A Residential Building from the Time of Jesus was Exposed in the Heart of Nazareth (12/21/09)’, www.antiquities.org.il/article_Item_eng.asp?sec_id=25&subj_id=240&id=1638&module_id=#as
Cf. ‘House From Jesus’ Time Found In Nazareth’, http://news.sky.com/skynews/Home/World-News/Archeologists-Find-Remains-Of-A-House-From-Jesus-Era-In-Nazareth-Israel/Article/200912315505695.
[31] Randall Price, The Stones Cry Out: What Archaeology Reveals about the Truth of the Bible (Eugene, Origon: Harvest House, 1997), p.305.
[32] France, op. cit., p.148.
[33] Price, op. cit., p.303.
[34] Ian Wilson, The Bible is History (London: Weidenfeld & Nicolson, 1999), p.218.
[35] Ibid.
[36] Millard, op. cit., p.7.
[37] Walker, op. cit., p.76.
[38] Ibid, p.170.
[39] Wilson, op. cit., p.221.
[40] Dickson & Clarke, op cit, p.5.
[41] Mark D. Roberts, Can We Trust the Gospels? (Wheaton, Illinois: Crossway, 2007), p.152.
[42] Angela Tilby, Son of God (London: Hodder & Stoughton, 2001), p.90.
[43] Walker, In the Steps of Jesus: An Illustrated Guide to the Places of the Holy Land (Oxford: Lion, 2006), pp.113 & 115.
[44] John McRay, ‘Archaeological Evidence for the New Testament’ in John Ashton & Michael Westacott (eds.), The Big Argument: Does God Exist? (Green Forest: Master Books, 2006), p.299.
[45] Wilson, op. cit., p.234.
[46] Norman L. Geisler & Ronald M. Brooks, When Skeptics Ask: A Handbook on Christian Evidences (Grand Rapids, Michigan: Baker, 2008), p.201.
[47] Cf. Paul Barnett, Is the New Testament Reliable?, second edition (Downers Grove: IVP, 2003), p.162.
[48] Blomberg, op. cit.
[49] Roberts, op. cit., p.152.
[50] Haaretz Daily Newspaper, Eli Ashkenazi, ‘Tiberias dig unearths very rare marble floor’, www.haaretz.com/print-edition/news/tiberias-dig-unearths-very-rare-marble-floor-1.155456. See also, ScienceDaily, ‘Ancient Tiberias Reveals More of Its Beauty’, www.sciencedaily.com/releases/2005/07/050728173930.htm.
[51] Cf. www.antiquities.org.il/article_Item_eng.asp?sec_id=25&subj_id=240&id=1849&module_id=#as.
[52] Craig A. Evans, Jesus and His World: The Archaeological Evidence (London: SPCK, 2012), p.101.
[53] Kazimir Popkonstantinov quoted by Simon Hooper, ‘Are these the bones of John the Baptist?’ (CNN).
[54] Sofia News Agency, ‘Bulgaria, Sozopol in Euphoria over St. John the Baptist Find’ (5th August 2010).
[55] Oxford University, ‘Dating evidence: Relics could be of John the Baptist’, www.ox.ac.uk/media/news_stories/2012/120615.html.
[56] Telegraph (20th July 2012), ‘Scientists find new evidence supporting John the Baptist bones theory’.
[57] Kazimir Popkonstantinov quoted by Sofia News Agency, ‘Bulgaria, Sozopol in Euphoria over St. John the Baptist Find’ (5th August 2010).
[58] Oxford University, ‘Dating evidence: Relics could be of John the Baptist’, www.ox.ac.uk/media/news_stories/2012/120615.html.
[59] Ibid.
[60] Cf. Archaeological News Network, ‘Relics of St John the Baptist examined by scanner’.
[61] Ibid.
[62] On John’s diet cf. James A. Kelhoffer, ‘John the Baptist’s “Wild Honey” and “Honey” in Antiquity’, www.duke.edu/web/classics/grbs/FTexts/45/Kelhoffer.pdf. See also ‘Did John the Baptist Survive by Eating Grasshoppers (Locusts)?’, http://antipas.net/14faq.htm & Kristie Leong, ‘Does a Vegetarian Diet Lead to Weaker Bones?’, http://voices.yahoo.com/does-vegetarian-diet-lead-weaker-bones-4645529.html.
[63] Ibid.
[64] Tom Powers, in the July / August 2003 issue of Biblical Archaeology Review, p.51.
[65] Cf. www.free-press-release.com/news-tomb-of-st-philip-one-of-the-twelve-apostles-discovered-in-turkey-1311961620.html.
[66] ‘Tomb of St. Phillip the Apostle Discovered in Turkey’, www.foxnews.com/scitech/2011/07/27/tomb-st-philip-apostle-discovered-in-turkey/.
[67] ‘Original Tomb of St. Phillip Discovered’, www.examiner.com/article/original-tomb-of-saint-philip-discovered.
[68] Paul L. Maier, ‘The James Ossuary’, www.mtio.com/articles/bissar95.htm.
[69] Ben Witherington, as quoted by Chad V. Meister, Building Belief: Constructing Faith from the Ground Up (Eugene, Oregon: Wipf & Stock, 2009), p.146.
[70] McRay, Archaeology and the New Testament, op. cit., p.216.
[71] D. Bahat, ‘Does the Holy Sepulchre Church Mark the Burial of Jesus?’, Biblical Archaeological Review 12.3 (1986), pp.26-45.
[72] Martin Biddle, The Tomb of Christ (Stroud, Gloucestershire: Sutton Publishing, 1999), p.55.
[73] Raymond N. Rogers, ‘Studies on the Radiocarbon Sample from the Shroud of Turin’, Thermochimica Acta (Volume 425, pages 189-194), www.shroud.it/ROGERS-3.PDF; Raymond N. Rogers & Anna Arnoldi, ‘The Shroud of Turin: An Amino-Carbonyl Reaction (Maillard Reaction) May Explain the Image Formation’, Melanoidins Vol.4, Ames J.M. (ed.), Office for Official Publications of the European Communities, Luxembourg, 2003, pp.106-113; John L. Brown, ‘Microscopial Investigation of Selected Raes Threads from the Shroud of Turin’, www.shroud.com/pdfs/brown1.pdf.
[74] Cf. Mark Guscin, ‘The Sudarium of Oviedo: Its History and Relationship to the Shroud of Turin’, www.shroud.com/guscin.htm. Also see Mark Guscin, ‘Recent Historical Investigations on the Sudarium of Oviedo’, www.shroud.com/pdfs/guscin.pdf and G. Moreno et al, ‘Comparative study of the Sudarium of Oviedo and the Shroud of Turin’, www.shroud.com/heraseng.pdf.
[75] Cf. ‘The Shroud of Turin: Forgery or Divine? A Scientist Writes’, http://blogs.telegraph.co.uk/news/tomchiversscience/100126480/the-shroud-of-turin-forgery-or-divine-a-scientist-writes/.
[76] Barnett, op. cit., p.164.

© 2010 Peter S. Williams. Versão revisada em Julho de 2012.
Esse recurso é reproduzido com a gentil permissão de Peter. S. Williams [o original no Bethinking]

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