Terminologia A315: Conhecimento Médio

Apologetics315.com [Começo, com esse post, a traduzir o bom conteúdo do site Apologetics 315, de Brian Auten, diretor do Reasonable Faith Belfast.]

Fonte:  http://www.apologetics315.com/2013/01/terminology-tuesday-middle-knowledge.html

Conhecimento Médio: A teoria filosófica segundo a qual Deus sabe todos os possíveis eventos e todas as verdades teoréticas, bem como todos os eventos e verdades atuais [efetivos; reais]. O conhecimento médio sugere que Deus sabe não apenas o que os humanos de fato fazem, mas também o que eles fariam sob circunstâncias hipotéticas. Por exemplo, no caso de pessoas que morrem sem ouvir a mensagem do evangelho, Deus sabe como elas teriam respondido caso a ouvissem. Alguns teólogos concluem que, baseado nesse conhecimento médio, Deus salvará aqueles que permaneceram além do alcance do evangelho nesta vida, mas que teriam aceitado Cristo caso a mensagem tivesse chegado a eles.¹

1. Stanley J. Grenz, David Guretzki & Cherith Fee Nordling, Pocket Dictionary of Theological Terms (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1999), p.79.

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A doutrina da criação de Agostinho de Hipona

Alister E. McGrath

Origem: “Christian Theology: A Introduction”, capítulo 14, pp. 312-314.

Tradução: teismocristao.wordpress.com

  Em sua obra “Sobre o Sentido Literal de Gênesis” (401-15), Agostinho de Hipona (354-43) propõe-se a providenciar uma doutrina da criação baseada no que ele considerava uma boa interpretação dos relatos de criação de Gênesis. Agostinho argumenta que Deus trouxe tudo à existência em um momento único de criação. Porém, a ordem criada não é estática, visto que Deus dotou-a com a capacidade para se desenvolver. Agostinho usa a imagem de uma semente dormente como uma analogia para esse processo. Deus embute sementes (mais tecnicamente, rationes seminales, “razões seminais”) na ordem criada original, que irá crescer e se desenvolver no tempo certo. Há uma clara analogia aqui com a ideia de logos spermatikos, a “razão espermática,” amplamente utilizada por escritores Cristãos de fala grega para iluminar a doutrina da criação (pp. 10, 175).

  Escritores cristãos anteriores haviam notado como a primeira narrativa da criação em Gênesis falava da terra e das águas “produzindo” criaturas vivas, e haviam chegado à conclusão de que isso apontava para Deus dotando a ordem natural com a capacidade para gerar coisas vivas. Agostinho levou essa ideia adiante. Deus criou o mundo completo com uma série de poderes dormentes, os quais eram atualizados em momentos apropriados através da providência divina.

  Agostinho argumenta que Gênesis 1:12 implica que a terra recebeu o poder (ou capacidade) de produzir coisas por si mesma: “A Escritura declara que a terra produziu os cultivos e as árvores casualmente, no sentido de que ela recebeu o poder de produzi-las.” Onde alguns podem pensar da criação em termos da inserção, por Deus, de novos tipos de plantas e animais já prontos em um mundo já existente, Agostinho rejeita isso como inconsistente com o testemunho global da Escritura. Ao contrário, Deus deve ser pensado como tendo criado naquele primeiríssimo momento as potências para todos os tipos de seres vivos que viriam depois, incluindo a humanidade.

  A interpretação de Gênesis de Agostinho não limita a ação criativa de Deus ao ato primordial de originação. Deus ainda está, Agostinho insiste, trabalhando no mundo, direcionando seu desenvolvimento contínuo e desenrolando o seu potencial. Ele argumenta que o trabalho de criação de Deus inclui tanto a originação inicial do mundo como seu desenvolvimento subsequente. Há dois “momentos” na criação: um ato primário de originação e um processo contínuo de direção providencial. A criação, portanto, não é um evento passado concluído. Deus deve ser reconhecido como estando trabalhando até mesmo agora, no presente, sustentando e direcionando o desenrolar das “gerações que ele depositou na criação quando ela foi primeiro estabelecida”.

  Isso quer dizer que o primeiro relato de criação em Gênesis descreve o trazer instantâneo à existência da matéria primordial, incluindo recursos causais para desenvolvimentos futuros. O segundo relato em Gênesis explora como essas possibilidades causais emergiram e se desenvolveram a partir da terra. Tomados em conjunto, os dois relatos de criação em Gênesis declaram que Deus criou todas as coisas simultaneamente, enquanto concebendo que os vários tipos de coisas fazem suas aparições gradualmente ao longo do tempo – como elas foram planejadas pelo seu criador.

  Para Agostinho, Deus criou um universo que foi deliberadamente projetado para se desenvolver e evoluir. O diagrama dessa evolução não é arbitrário, mas se encontra programado na própria fábrica da criação. A providência de Deus superintende o desenrolar continuo da ordem criada. A imagem de Agostinho da “semente” implica que a criação original continha em si as potencialidades para todos os seres vivos que iriam subsequentemente emergir. Isso não quer dizer que Deus criou o mundo incompleto ou imperfeito, pois “o que Deus originalmente estabeleceu em causas, ele subsequentemente cumpriu em efeitos.” Esse processo de desenvolvimento, Agostinho declara, é governado por leis fundamentais, que refletem a vontade de seu criador: “Deus estabeleceu leis fixas governando a produção de tipos e qualidades de seres, e trazendo-as da ocultação para a vista plena”.